disney rosseti
Alesp / Divulgação
Delegado Disney Rosseti

Com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que barrou a posse do novo diretor-geral, a Polícia Federal segue sob o comando interino da equipe do diretor-geral Maurício Valeixo, que o presidente Jair Bolsonaro queria demitir do cargo e acabou gerando a crise com o ex-ministro Sergio Moro.

Leia também: Por falta de leitos, pacientes com Covid-19 aguardam internações em cadeiras

O número dois de Valeixo era o diretor-executivo Disney Rosseti , que agora passa a responder interinamente pelo comando da corporação. Fontes da PF avaliam que o impasse jurídico deve demorar para ser resolvido e isso vai prolongar a permanência de Rosseti.

O novo diretor-geral Alexandre Ramagem chegou a despachar na PF ontem e fez uma videoconferência com superintendentes estaduais. Segundo a colunista Bela Megale, ele tranquilizou os superintendentes de que não haveria mudanças bruscas e também fez gestos de conciliação com Valeixo, que também participou da reunião. Agora, sua situação fica indefinida, já que Ramagem já deixou o comando da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), onde estava atuando antes de ser nomeado para comandar a PF.

A atual equipe montada por Valeixo também tem como diretor de investigação e combate ao crime organizado Igor Romário de Paula, que atuou na Lava-Jato pela PF de Curitiba e agora é um dos delegados responsáveis pelo inquérito das fake news, justamente uma das preocupações de Bolsonaro. Diante da instabilidade, o ministro do STF Alexandre de Moraes chegou a proferir decisão determinando que, independente de qualquer mudança, Igor Romário continue com o caso. Com a interinidade de Rosseti , Igor Romário segue em suas funções.

Isso significa que a equipe montada por Valeixo continuará tocando os inquéritos que preocupavam Bolsonaro , como o das fake news. Outras apurações também ficarão a cargo da PF , como o inquérito que apura as acusações feitas por Moro a Bolsonaro de interferências indevidas na Polícia Federal, o inquérito que apura a organização de atos antidemocráticos e também uma investigação por racismo contra o ministro da Educação Abraham Weintraub.

Em sua decisão, Moraes afirmou que havia desvio de finalidade na nomeação de Ramagem e entendeu que ela foi feita por Bolsonaro para satisfazer seus interesses pessoais em detrimento dos princípios da administração pública.

Leia mais: Declaração irônica de Bolsonaro gera revolta em parentes de mortos pela Covid-19

Ao anunciar seu pedido de demissão, Moro afirmou que Bolsonaro desejava fazer interferências políticas na PF, frear investigações contra aliados seus (como o inquérito das fake news) e obter informações de inteligência da corporação, atitudes que o ex-ministro considerou inaceitáveis.

    Veja Também

    Mais Recentes

      Mostrar mais

      Comentários