eduardo bolsonaro
Renato Costa/FramePhoto/Agência O Globo
Eduardo Bolsonaro foi chamado de infantil pela deputada Letícia Aguiar.

O esforço da bancada do PSL na Assembleia Legislativa de São Paulo ( Alesp ) em rechaçar qualquer imagem de divisão do grupo, feito após a votação por 8 a 7 que escolheu seu novo líder na Casa, foi por água abaixo. Na noite do domingo, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) divulgou em seu Twitter os votos e rostos dos 15 deputados estaduais paulistas. O ato foi entendido como uma fritura pública daqueles que ajudaram a eleger Rodrigo Gambale, a quem Eduardo definiu como "opositor a Jair Bolsonaro".

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"Deputado deve satisfação aos seus eleitores, que merecem transparência para poderem formar sua convicção. Apenas divulgo aqui a votação para líder do PSL na Alesp, ressaltando que Gambale faz parte do grupo opositor a Jair Bolsonaro, liderado pelo dep. federal Jr. Bozela", escreveu Eduardo na publicação.

Castelo Branco, o candidato derrotado, era tido como uma continuidade à influência de Eduardo Bolsonaro no PSL estadual. Ele tinha apoio de Gil Diniz, líder anterior da bancada e braço direito do filho do presidente na Alesp. Ambos são identificados como a ala mais ideológica do grupo, em contraposição à ala mais moderada, que tem apoio de Júnior Bozzella, próximo a Luciano Bivar.

A deputada Leticia Aguiar , que votou em Gambale e, portanto, foi considerada do "grupo dos traidores" por Eduardo , usou suas redes sociais criticar a atitude do filho do presidente. Ela afirmou que "nenhum dos 15 deputados do PSL é opositor a Jair Bolsonaro" e que a bancada é unida, apesar de divergências naturais.

"Lamento a forma que o post foi produzido pelo filho do Presidente. Totalmente desnecessário e infantil. Somos de direita e defendemos as mesmas pautas do Presidente, independentemente ainda de sigla partidária. Valores e princípios estão acima de tudo", escreveu Aguiar em seu Facebook na tarde desta segunda-feira.

Segundo a deputada, a direita está "querendo criar factoides onde não tem", fazendo igual à esquerda, "que sempre se utilizou muito bem da tática de dividir para conquistar, mas sempre contra os opositores, não com a sua base".

Logo após a votação, na terça-feira passada, os 15 deputados do PSL de São Paulo se reuniram para uma foto, a fim de mostrar a unidade do grupo. Ao longo da semana, tanto a ala vencedora quanto a perdedora fizeram questão de rechaçar qualquer divisão. Era um empenho para evitar que o grupo de Castelo Branco fosse associado ao Aliança pelo Brasil e o de Gambale ao PSL, uma divisão que de fato aconteceu na bancada da legenda na Câmara.

Era a segunda vez, em 14 meses, que todos eles tinham conseguido se encontrar pessoalmente. Outra que votou em Gambale, Janaina Paschoal postou a foto em seu Facebook e aproveitou para afastar a ideia de racha.

"Quem ganha separando a direita? Pensem nisso! Estamos aqui, na Alesp , desde cedo, trabalhando normalmente. Reunião de bancada, Plenário, Colégio de Líderes. Está tudo muito harmonioso por aqui. O resto é intriga!", escreveu ela.

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Agora, os deputados estaduais devem precisar de um maior empenho para dar uma segunda mão de tinta na imagem de união que querem pregar ao eleitorado. Na publicação de Eduardo Bolsonaro, a reação dos seguidores foi virulenta contra os "traidores" identificados pelo deputado federal. "Que decepção!", comentavam vários deles.

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