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Em 2017, ex-deputado afirmou ter arrecadado R$ 270 milhões para financiar aliados, tudo, segundo ele, "dentro do universo liderado por Michel Temer"

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Antonio Cruz/Agência Brasil
Eduardo Cunha foi presidente da Câmara durante processo de impeachment de Dilma e tentou fazer delação premiada

O ex-deputado Eduardo Cunha (MDB-RJ), preso há 3 anos, fez uma tentativa fracassada de delação premiada na Lava Jato e atribuiu irregularidades a 120 políticos. As informações são de mais uma série de mensagens obtidas pelo The Intercept Brasil e publicadas nesta quinta-feira (26) pela Folha de S.Paulo

A proposta de delação de Cunha foi feita em julho de 2017 aos procuradores da Lava Jato e recusada por ser considerada "superficial demais" pelos investigadores. No relato, o ex-deputado afirmou ter arrecadado R$ 270 milhões em 5 anos para dividir com aliados, 70% via caixa dois. 

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Cunha disse que cresceu dentro do MDB e se tornou o responsável por "viabilizar ajuda financeira" para campanhas do partido durante o segundo mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele afirma ainda que, durante as eleições de 2014, também ajudou no financiamento de deputados de outras siglas, o que contribuiu para que fosse eleito presidente da Câmara.

Moreira Franco , ex-ministro dos governos de Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB), também aparece diversas vezes na proposta de delação. Cunha o acusa de receber propina em um financiamento quando tinha um cargo na Caixa. O ex-deputado afirma ainda que parte do dinheiro foi destinado ao atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM).

A defesa de Moreira Franco afirmou à Folha que a proposta não foi aceita, que "não merece resposta" e que Cunha sempre teve o ex-ministro como desafeto político. Maia também nega as afirmações e disse, por meio de sua assessoria, que o ex-deputado tenta "atacar sua honra com falsas informações desde que perdeu o mandato". 

Temer também foi citado em 14 anexos da negociação. Em um deles, Cunha afirma que arrecadação para financiar aliados ocorria "dentro do universo liderado por Michel Temer". Em resposta, a defesa afirmou que o próprio Cunha disse, em entrevista em 2017, que a Procuradoria Geral da República (PGR) recusou a proposta porque ele não apresentou fatos contra ele.

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Na proposta, Cunha cita ainda o ex-governador do Rio Anthony Garotinho e afirma que ele teria recebido mesada de desvios de um fundo de pensão em uma estatal. Garotinho nega as acusações e afirma que "foi o maior opositor de Cunha" na época.