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Em entrevista ao jornal The Guardian, o petista voltou a atacar o presidente e disse que o Brasil volta no tempo com o governo do presidente

Lula sentado em poltrona com bolco de papel na mão arrow-options
Agência Brasil
Lula foi solto após mudança de entendimento de prisão em 2ª instância

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu sua primeira entrevista a um veículo estrangeiro e voltou a atacar o presidente Jair Bolsonaro . Ao jornal britânico The Guardian , o petista disse Bolsonaro quer "destruir" as conquistas sociais das últimas décadas e que o Brasil volta no tempo sob o comando do presidente. "Vamos torcer para que Bolsonaro não destrua o Brasil. Vamos torcer para que ele faça alguma coisa boa para para o País, mas eu duvido", afirmou Lula.

Lula foi solto da superintendência da Polícia Federal , em Curitiba, após o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir, no começo deste mês, que réus condenados em segunda instância podem permanecer em liberdade até se esgotarem todas as possibilidades de recursos, quando processos transitam em julgado. Ele foi condenado no caso do tríplex de Guarujá, no qual ele recebeu propina da OAS por meio do imóvel em troca de contratos da empreiteira com a Petrobras .

Para o petista, não é só na política interna que Bolsonaro tem cometido erros. Ao comentar a relação do Brasil com os Estados Unidos disse que é "vergonhoso" ver a "submissão" dele ao presidente Donald Trump . "A imagem do Brasil está negativa agora. Nós temos um presidente que não governa, que fica falando de fake news 24 horas por dia. O Brasil tem que ter um papel maior no cenário internacional", disse.

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Ao comentar a volta ao poder de líderes de esquerda na América do Sul, como é o caso da Argentina e do México , Lula afirmou que se sente "animado" com esse momento, mas que a situação na Bolívia , com a renúncia do ex-presidente Evo Morales , o preocupa. O líder boliviano foi acusado de ter fraudado as eleições no país e renunciou após as Forças Armadas armarem um motim contra ele.

"Meu amigo Evo cometeu um erro quando buscou um quarto mandato como presidente. Mas o que fizeram com ele foi um crime. Foi um golpe de Estado, e isso é terrível para a América Latina", afirmou Lula.

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Evo ainda tentou convocar um novo pleito, mas não resistiu às pressões das Forças Armadas e da Polícia. A então segunda vice-presidente do Senado, Jeanine Áñez, se aproveitou do vácuo de poder na linha sucessória e se autoproclamou chefe de Estado interina.

O ministro do Governo da Bolívia, Arturo Murillo, ainda apresentou nesta sexta (22) uma denúncia contra Evo por "rebelião e terrorismo". A gestão Áñez divulgara um vídeo no qual uma voz atribuída ao ex-presidente ordena o bloqueio de estradas para prejudicar o fornecimento de comida à população.

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