Tamanho do texto

Ministro pediu ajuda ao colega Alexandre de Moraes para aprovar medida; pedido foi feito após ex-PGR revelar que tinha planos de matá-lo

Gilmar com feição séria em plenário arrow-options
Nelson Jr./SCO/STF - 27.8.19
Gilmar Mendes teme pela sua segurança após revelação de Janot

O ministro do Supremo Tribunal Federal ( STF ) Gilmar Mendes apelou nesta sexta-feira (27) para que a Corte determine que seja retirado o porte de arma do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot . Mendes pediu ajuda ao colega de plenário Alexandre de Moraes e também solicitou que sejam tomadas medidas cautelares para preservar sua segurança. Se considerar necessário, Moraes poderá inclusive proibir Janot de se aproximar de Mendes.

O pedido foi feito depois que Janot revelou em entrevistas à imprensa que planejou matar Mendes em 2017. Moraes é relator do inquérito que investiga ataques a ministros do tribunal. O pedido de Mendes a Moraes está em sigilo, porque a investigação corre em segredo de Justiça. Não há previsão de quando Moraes vai decidir.

Em entrevistas aos jornais “O Estado de S. Paulo” e “Folha de S. Paulo” e à revista “Veja” publicadas ontem, Janot contou que entrou armado no STF com o objetivo de matar o ministro e se suicidar em seguida. Segundo sua própria narrativa, ele chegou a menos de dois metros de Mendes, na sala de lanches do tribunal, mas não conseguiu atirar.

O episódio também foi narrado no livro de memórias de Janot, escrito pelos jornalistas Jailton de Carvalho e Guilherme Evelin, mas sem mencionar o nome do ministro.

Em nota divulgada no início da manhã, Gilmar recomendou que Janot "procure ajuda psiquiátrica" e afirmou que o ex-procurador-geral "certamente não tem medo de assassinar reputações".

"Se a divergência com um ministro do Supremo o expôs a tais tentações tresloucadas, imagino como conduziu ações penais de pessoas que ministros do Supremo não eram. Afinal, certamente não tem medo de assassinar reputações quem confessa a intenção de assassinar um membro da Corte Constitucional do País. Recomendo que procure ajuda psiquiátrica", diz trecho da nota.

O ministro disse ainda que lamenta "o fato de que, por um bom tempo, uma parte do devido processo legal no país ficou refém de quem confessa ter impulsos homicidas".

Mais tarde, em entrevista coletiva, ele também chamou Janot de facínora e afirmou que o atual modelo de escolha do comando da Procuradoria-Geral da República (  PGR  ) "deu errado".

- Os senhores sabem que eu fui, no Supremo Tribunal Federal, sempre um crítico dos métodos do procurador Janot. Divergências de caráter intelectual e institucional. Não imaginava que nós tivéssemos um potencial facínora comandando a Procuradoria-Geral da República. Eu imagino que todos aqueles que foram os responsáveis por sua indicação, ele foi duas vezes procurador-geral, devem estar hoje pensando na sua alta responsabilidade em indicar alguém tão desprovido de condições para as funções - afirmou.