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Subprocurador Augusto Aras, que quer apoio de pelo menos 41 senadores para efetivação no comando da PGR, disse que não buscará recondução

Homem de gravata laranja e mão levantada arrow-options
Roberto Jayme/Ascom/TSE
O novo PGR, Augusto Aras, foi indicado por Bolsonaro, mas para procuradores do Sergipe, nome escolhido dessa forma 'não tem legitimidade para comandar MPF'

Em campanha pelo aval dos senadores para comandar a Procuradoria-Geral da República ( PGR ), o subprocurador Augusto Aras prometeu à oposição que a porta de seu futuro gabinete estará aberta aos adversários do presidente Jair Bolsonaro, caso seja efetivado no cargo. 

O compromisso foi feito, em conversas particulares, como resposta à reclamação de parlamentares de dificuldade de acesso à atual PGR, Raquel Dodge, cujo mandato acaba nesta terça-feira (17).

Aras conseguiu visitar aproximadamente um terço dos senadores na semana passada, quando começou a peregrinação por votos depois de Bolsonaro o indicar para o cargo. Ele será sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), provavelmente na próxima semana, e precisa do apoio de pelo menos 41 senadores no plenário para ser confirmado como PGR.

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A bancada do PT e o líder da minoria, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), já receberam Aras, que também visitou outros oposicionistas. Nas conversas, o subprocurador ouviu de parlamentares que Raquel Dodge resistia em recebê-los. Eles contaram que conseguiram conversar pessoalmente com ela sobre a menor parte das representações que fizeram contra os governos Temer e Bolsonaro. Na maioria das vezes, completaram, as visitas à PGR se encerraram na sala de protocolo da instituição.

Para a oposição, o procurador-geral da República tem um papel especial por ser o único a poder denunciar o presidente da República. Randolfe foi um dos parlamentares a fazer a reivindicação por mais diálogo com o PGR .

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“Disse a ele: me permita fazer uma reivindicação em nome da oposição. Nós, da oposição, fomos muito pouco ouvidos no último biênio. Gostaríamos de ser mais ouvidos. E ele disse que estaria muito aberto”, narrou o líder da minoria.

Escolhido por Bolsonaro em meio a declarações do presidente sobre ter um procurador alinhado à sua pauta ideológica e com o papel de estar ao seu lado, Aras tem se esforçado, nas conversas com adversários do Planalto, na pregação de que será autônomo e não terá constrangimento em se opor a quem o escolheu. Nesse mesmo sentido, na linha de não trabalhar para continuar no cargo, disse a parlamentares que não buscará a recondução no fim do seu mandato.