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Procurador da Lava-Jato afirmou que resolveu se unir à ANPR, que considerou 'retrocesso' escolha de novo PGR alinhado com o governo

Deltan Dallagnol em palestra arrow-options
Lucas Tavares / Zimel Press / Agência O Globo
Deltan Dallagnol não gostou da indicação para a PGR vir fora da lista tríplice


Sem citar o nome do indicado à Procuradoria Geral da República, Augusto Aras, o coordenador da força-tarefa da Lava-Jato de Curitiba, Deltan Dallagnol, demonstrou contrariedade com a escolha feita pelo presidente Jair Bolsonaro para o cargo.

Dallagnol escreveu em seu perfil numa rede social nesta quinta-feira que sempre defendeu a lista tríplice, que, desde 2001, é escolhida em votação promovida pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) e representa os nomes preferidos pela categoria para o cargo para um mandato de dois anos.

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O procurador explicou que decidiu se unir à ANPR, que fez duras críticas contra a escolha feita por Bolsonaro. A Associação divulgou nota em que diz que a decisão quebra o processo de transparência que fundamentava a lista, além de colocar a independência do MP em risco.

Dallagnol adotou tom semelhante:

"A força-tarefa Lava Jato no Paraná sempre defendeu a lista tríplice, por favorecer a escolha de um Procurador Geral da República (PGR) testado e aprovado em sua história e seus planos, assim como a independência do Ministério Público. Nós nos unimos à ANPR no debate pelo melhor para o país e a causa anticorrupção", escreveu o procurador em seu Twitter.

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Dallagnol não foi o único. Também membro da força-tarefa do Paraná, a procuradora Jerusa Viecili lamentou a decisão do presidente e afirmou que o combate à corrupção e a existência do Ministério Público estão em risco.

"Mais um dia triste para o Ministério Público Federal. Não havia presenciado tamanho desprestígio e desrespeito com a Instituição desde 2004, quando ingressei no MPF. Quando a democracia interna não é observada, toda independência de atuação é colocada em risco", afirmou Jerusa.