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Presidente afirmou que leis devem "proteger as maiorias" e disse que não aceitará pressão de instituições: "Estado é laico, mas eu sou cristão"

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Agência Brasil
"Ideologia de gênero é coisa do capeta", diz Bolsonaro em evento evangélico

O presidente Jair Bolsonaro afirmou neste sábado, durante um evento evangélico, que a "ideologia de gênero" é "coisa do capeta". Bolsonaro participou daMarcha de Jesus de Brasília e disse que irá respeitar a "inocência das crianças", e ressaltou esperar que o governador do Distrito Federal,Ibaneis Rocha (MDB), que também estava presente, faça o mesmo.

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"Um presidente que está honrando o que prometeu durante a campanha. Um presidente que acredita e valoriza a família. Um presidente, a exemplo do governador daqui também, (que) vai respeitar a inocência das crianças. Não existe essa conversinha de ideologia de gênero . Isso é coisa do capeta. Tenho certeza de que o governador não vai admitir isso no ensino do Distrito Federal", garantiu Bolsonaro .

A Marcha para Jesus foi organizada pelo Conselho de Pastores Evangélicos do Distrito Federal (COPEV/DF). Bolsonaro ressaltou que, por mais que o Estado brasileiro seja laico, ele e maioria são cristãos. Ele voltou a se referir a si mesmo como o personagem de desenho animado Johnny Bravo.

"O Estado é laico, mas eu, Johnny Bravo, sou cristão. Aqui nesse pátio nós somos cristãos. Respeitamos todas as religiões e até quem não tenha religião, mas a grande maioria do povo brasileiro é cristã."

O presidente afirmou que não tem preconceito com minoras, mas disse que as leis devem proteger as maiorias e não podem ferir seus "princípios". Bolsonaro já criticou a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de equiparar a homofobia ao crime de racismo .

"Não discriminamos ninguém. Não temos preconceito . E deixo bem claro, as leis existem para proteger as maiorias. É a única maneira que temos para viver em harmonia. O que minora faz, por livre e espontânea vontade, sem prejudicas a maioria, vai ser feliz. Nós não podemos admitir leis que nos tolham, que firam os nossos princípios", afirmou.

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Bolsonaro disse que não está desafiando nenhuma instituição, mas avisou que não aceitará pressões delas:

"Não estamos desafiando nenhuma instituição, mas não aceitaremos qualquer pressão para manter nichos do que quer que seja em causa própria. Ou a gente bota pra fora tudo isso agora, ou estaremos condenamos a viver no obscurantismo", disse Bolsonaro, sem se referir a uma instituição específica

Depois, em outro trecho do discurso, citou uma "queda de braço" com a Justiça para tentar reduzir o número de radares eletrônicos nas rodovias.

"Estou em uma luta para acabar com os pardais, radares eletrônicos. Estou em uma queda de braços com a Justiça, que não me quer deixar acabar com os pardais", explicou.Bolsonaro disse que participou do evento de "livre e espontânea vontade", já que não está em campanha. Ao final da marcha, contudo, foi tocado o jingle de sua campanha presidencial.

"Estou aqui e não é época de campanha. Estou aqui de livre e espontânea vontade, com o coração batendo igualzinho o de vocês", disse Bolsonaro . Também estavam presentes o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e o vice-presidente da Câmara, Marcos Pereira (PRB-SP), entre outros políticos.