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Famoso por apresentar programas sobre a vida selvagem na TV, biólogo manteve criadouro até 2015 e foi autuado em R$ 393 mil por dano ambiental

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Sabrina Rasmussen/Divulgação
Richard Rasmussen apresentou programas sobre a vida selvagem na Record, SBT, Band e canais fechados

O apresentador de TV Richard Rasmussen, nomeado pelo presidente Jair Bolsonaro como embaixador do turismo no Brasil, com foco no ecoturismo, coleciona ao menos dez autuações pelo Ibama.

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Famoso por ter apresentado programas de TV sobre a vida selvagem na Record, no SBT e na TV Bandeirantes (bem como nos canais por assinatura National Geographic e Animal Planet), o biólogo paulista Richard Rasmussen já foi alvo de processos por crimes ambientais como o de manter animais silvestres em cativeiro e o de introduzir espécies de outros países no Brasil sem autoriação.

Apenas um dos processos contra o Criadouro Conservacionista Toca da Tartaruga, que era mantido por Richard em São Paulo, rendeu ao biólogo multa de R$ 393 mil, acrescidos de juros moratórios de 0,5% ao mês, em junho de 2015.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), Richard provocou dano ambiental mediante irregularidades como o de manter no criadouro animais sem comprovação de origem e sem sistema de marcação visível, permitir a circulação de cães em recintos destinados a aves e saguis, além de ter mantido vários animais mortos na sala de atendimento veterinário.

Agentes de fiscalização do Ibama reportaram que, quando o apresentador apresentou o projeto para abrir o criadouro, em 1999, ele "já possuía plantel de aves e répteis sem origem conhecida, além de fauna exótica sem a devida autorização".

Nesse processo, que tramitou no Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), além do pagamento de multa, Richard foi obrigado a pagar a alimentação e construir abrigo para duas onça pardas que foram apreendidas em seu criadouro irregular.

Além dos autos de infração ambiental , Rasmussen também protagonizou polêmica após ceder imagens ao Fantástico, da TV Globo, para reportagem que denunciava o abate de botos vermelhos para serem usados como isca. O material foi levado ao ar em 2014 só que, três anos mais tarde, o documentário River Below, do australiano Mark Grieco, exibiu pescadores dizendo ter recebido dinheiro e combustível de Rasmussen para que eles matassem os botos exibidos na reportagem. O biólogo sempre negou as acusações.

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A nomeação de Richard como embaixador do ecoturismo brasileiro tem caráter simbólico. Em vídeo divulgado na sexta-feira (2) por Bolsonaro, Richard falou sobre sua nova atribuição.

"Eu recebi uma missão com muita honra muito alegria de representar o Brasil como embaixador do ecoturismo brasileiro. O plano da Embratur é justamente o de mostrar para o turita estrangeiro que saia daquele eixo vicioso do turismo brasileiro. Quando a gente traz o turista que procura experiências de natureza, nós estamos ajudando a fiscalizar melhor as nossas áreas naturais, estamos ajudando a levar renda para áreas onde normalmente são carentes de recursos econômicos", defendeu Richard Rasmussen .