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Ex-ministro do governo Temer é acusado de ter recebido R$ 1 milhão em propina da Galvão Engenharia por meio de doação para campanha ao Senado

Romero Jucá arrow-options
Edilson Rodrigues/Agência Senado - 21.6.17
Ex-senador Romero Jucá e Sérgio Machado foram flagrados em gravação conhecida por menção a "grande acordo nacional"

O ex-ministro do Planejamento e ex-líder do governo Michel Temer (MDB) no Senado, Romero Jucá (MDB), tornou-se réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro por suposto esquema de corrupção em contratos da Transpetro. A denúncia, aceita nesta quinta-feira (18) pelo juiz Luiz Antônio Bonat, de Curitiba, alcança também o ex-presidente da estatal Sérgio Machado.

De acordo com os procuradores da Operação Lava Jato, Romero Jucá recebeu propina de R$ 1 milhão da Galvão Engenharia por conta de quatro contratos e sete aditivos celebrados entre a empresa e a Transpetro. Os valores teriam sido pagos por meio de doação à campanha do emedebista ao Senado, em 2010.

Segundo a denúncia, a Galvão Engenharia , em razão de contratos e aditivos que mantinha na Transpetro, e com a finalidade de continuar recebendo convites para participar das licitações da estatal, efetuava o pagamento de propinas no percentual de 5 % do valor de todos os contratos com a subsidiária da Petrobras a integrantes do MDB que compunham o núcleo de sustentação de Sérgio Machado no cargo de presidente da Transpetro.

O então presidente da Transpetro, Sérgio Machado , indicado e mantido no cargo por Romero Jucá e integrantes do MDB, tinha a função de arrecadar propinas para seus padrinhos políticos. Em contrapartida ao pagamento de propinas pelas empresas, Machado, conforme acertado com seus padrinhos políticos, garantia às empreiteiras a continuidade dos contratos e a expedição de futuros convites para licitações.

A relação dos dois ganhou popularidade após o grampo de uma ligação de Sérgio Machado a Jucá em que o ex-presidente da Transpetro dizia que a solução seria tirar Dilma Rousseff da presidência e colocar Michel Temer, "em um grande acordo nacional, com o Supremo, com tudo". O caso foi parar no STF, que arquivou a denúncia. Esta ligação, porém, pressionou Temer a demitir Jucá do cargo de ministro.

Ex-senador, Romero Jucá foi derrotado nas eleições de 2018 e, assim, perdeu o foro privilegiado. O político de Roraima, entretanto, segue como presidente nacional do MDB.