Tamanho do texto

Relatório final será apresentado nesta terça e inclui executivos da Vale; parecer também sugere votação de projetos sobre os crimes ambientais

Tragédia Brumadinho
Agência O Globo
Texto deve pedir o indiciamento de diversos executivos da empresa

O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito ( CPI ) que investiga o rompimento da barragem de Brumadinho , em Minas Gerais, será apresentado nesta terça-feira (2) pelo senador Carlos Viana (PSD-MG). Ele vai pedir o indiciamento de 14 pessoas, entre elas, executivos da Vale .

Leia também: R$ 1,7 bilhão, 699 imóveis e até iate: saldo de apreensões da Lava Jato no Rio

A segunda parte do parecer vai sugerir a votação de três projetos que tratam de crimes ambientais, da segurança de barragens de rejeitos e da tributação da exploração de minérios no país. O fim das barragens de resíduos, como a que existia em Brumadinho , no prazo de dez anos e a definição do valor para o pagamento de indenizações também serão apontados no relatório, que tem votação prevista para o dia 9 de julho.

A barragem de Córrego do Feijão se rompeu em 25 de janeiro, deixando pelo menos 246 mortos e 24 desaparecidos. Algumas vítimas — que não foram afetadas diretamente pela lama , mas tiveram suas vidas abaladas pela tragédia ao verem seus negócios praticamente acabarem — seguem não reconhecidas pela Vale e pelo poder público.

Na última quarta-feira, a Delegacia de Meio Ambiente de Minas confirmou que houve   detonação de explosivos na Mina Córrego do Feijão antes do rompimento da barragem B1 em janeiro. Não há, porém, evidência de que a explosão tenha levado a estrutura da Vale a desabar.

De acordo a polícia, os explosivos teriam sido detonados dentro da cavada mina, a 1,5km de distância da barreira de contenção de rejeitos de mineração. O objetivo dos investigadores, agora, é verificar se eles influenciaram no rompimento da barragem. Dois funcionários afirmam que a explosão aconteceu, mas divergem em relação ao horário: um diz que foi antes do rompimento; outro, depois.

Leia também: Lava Jato no Rio prende procurador suspeito de receber propina em obras do metrô

Em nota, a Vale afirmou que não houve detonação de explosivos antes do rompimento da barragem e que detonações de explosivos são "inerentes à atividade minerária e as recomendações da empresa de auditoria eram conhecidas e consideradas pela área geotécnica na execução das atividades no complexo".