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Líderes estavam na residência oficial do presidente da Câmara quando reportagens foram publicadas e criação de uma CPI foi cogitada logo de cara

Sergio Moro e Rodrigo Maia de mãos dadas
J.Batista/Câmara dos Deputados
Rodrigo Maia desencorajou centrão a embarcar em uma CPI contra Sergio Moro

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), recomendou a líderes do centrão que não tomassem atitudes imediatas em relação às mensagens trocadas entre o então juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol . O pedido foi reforçado especialmente em relação ao embarque em uma CPI sobre o tema, como a oposição passou a defender assim que o caso veio à tona.

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Líderes estavam reunidos na residência oficial do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), quando o site publicou as reportagens no fim da tarde de domingo. Deputados do MDB, PP, PSDB, PRB, PR, DEM, PTB, Patriota e PSC se debruçaram sobre seus respectivos celulares. Alguns liam trechos em voz alta. O que provocou maior indignação e foi mais comentado posteriormente foi uma mensagem atribuída a Moro em que ele fala sobre “limpar o Congresso”.

Logo de cara, segundo presentes na reunião, já se cogitou a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os fatos. O The Intercept afirma que Moro deu orientações ao procurador sobre como atuar em processos da Lava Jato. Coube ao presidente Rodrigo Maia recomendar parcimônia aos colegas. Ele defendeu aguardar para medir a repercussão do caso e analisar o conteúdo com calma antes de uma eventual CPI. O The Intercept não publicou a totalidade do material recebido, segundo o jornalista Glenn Greenwald, responsável pelo site.

Desde então, líderes do DEM, PP, MDB, PR e PRB foram cautelosos. Não se manifestaram contra Sergio Moro e defenderam, como aconselhou Maia, que era preciso aguardar para conhecer todo o material que seria publicado antes de entrar com um pedido de CPI ou de convocação de Moro à Câmara.

"Os fatos são graves e precisam ser investigados. Mas precisamos ver a íntegra do material antes de tomar qualquer atitude", disse ao jornal O Globo , Wellington Roberto (PB), líder do PR.

Baleia Rossi (SP), líder do MDB, e Elmar Nascimento (BA), líder do DEM, também defenderam que era preciso aguardar a íntegra do material. A oposição, por outro lado, já se movimentou para pedir CPI e convocação. PT, PCdoB, PSOL, PDT e PSB se reuniram na manhã dessa terça-feira (11) para articular uma estratégia conjunta.

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OPOSIÇÃO BUSCA APOIO

Em reunião na manhã desta terça-feira os integrantes da oposição discutiram como atrair os partidos de centro para a CPI. Os parlamentares formalizaram, também, que vão preparar um requerimento de convocação para que Moro se explique ao Congresso e pediram que o ministro seja afastado do cargo juntamente com os demais magistrados. As medidas foram acertadas em reunião na sede do PSB.

"Concordamos que tem que ter uma CPMI, que o Moro tem que ser convocado urgentemente no Congresso Nacional, que tem que pedir a suspensão do Moro do ministério da Justiça, do Dallagnol e de outros promotores envolvidos", afirmou a presidente do PT, Gleisi Hoffmann .

De acordo com o presidente do PSB, Carlos Siqueira, a equipe de procuradores está “comprometida e as decisões tomadas por eles são deslegítimas” e, por isso, as medidas anunciadas pela oposição são “necessárias pela gravidade da situação”.

"É impossível aceitar no sistema democrático o comportamento do senhor Moro, Dallagnol e sua equipe. Essa convocação para a CCJ e o pedido de afastamento de ambos se impõe nesse momento", afirmou Siqueira.

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Ele acredita no apoio de outros parlamentares, inclusive do centrão, à CPMI. "Acho que outros partidos e mesmo pessoas de diferente partidos poderão se aglutinar em torno da defesa do Estado democrático de direito, que foi ferido com a atitude do Moro e dos procuradores", completou.