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Durante discurso em Goiás, presidente afagou Rodrigo Maia e prometeu extinguir "indústria da multa" no Brasil ("para o bem dos motoristas")

Bolsonaro em Goiás
Alan Santos/PR - 5.6.19
Presidente Jair Bolsonaro participou de solenidade para o lançamento do Projeto Justos pelo Araguaia

No dia seguinte à  entrega do projeto de lei que altera as regras para a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), o presidente Jair Bolsonaro (PSL) enalteceu a proposta e disse que, se dependesse só dele, o novo limite de pontos para suspender a carteira de caminhoneiros (que passou de 20 para 40 pontos), seria ainda maior.

"Apresentamos um projeto para fazer com que a Carteira Nacional de Habilitação passe a sua validade de cinco para dez anos", disse Bolsonaro durante discurso no município de Aragarças, em Goiás. "Para que o caminhoneiro que transporta aqui o que o Centro-Oeste produz não perca sua carteira com 20 pontos, e sim com 40 pontos. Por mim, eu botaria 60. Porque, afinal de contas, a indústria da multa vai deixar de existir no Brasil", bradou.

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O projeto, entregue em mãos ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (enaltecido por Bolsonaro como "nosso aliado em vários projetos"), prevê uma série de alterações no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Dentre as mudanças está a extensão de cinco para dez anos a validade da CNH e também a extinção da multa no transporte de criança sem cadeirinha. 

Para entrar em vigor, o projeto defendido pelo Planalto precisa ainda ser aprovado pela Câmara e Senado. "A multagem eletrônica vai deixar de existir. Para o bem dos motoristas", afirmou.

Vestindo uma camisa do Goiás Esporte Clube (por cima da camisa social), Bolsonaro discursou durante a cerimônia de lançamento do Projeto Justos pelo Araguaia, que pretende revitalizar a bacia do Rio Araguaia. "Estamos sim preocupados com o meio ambiente, mas também perfeitamente casados com a economia. A primeira missão nossa é não atrapalhar quem quer produzir. Vamos atendê-los naquilo que vocês precisam."

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O presidente também voltou a criticar governos anteriores e militantes alinhados à ideologia de esquerda, que, segundo ele, "não amam a liberdade, detestam religiões e também detestam a família". "Este é um País Cristão. Eles não nos derrotarão", disse Bolsonaro , que acenou ainda para o Congresso, em busca de apoio. "Podemos assumir compromissos que visam melhorar a vida do povo brasileiro. Nós, juntos, temos como mudar o destino do Brasil."