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Após contato do ministro, senadores Major Olímpio e Alvaro Dias reavaliam apoio a Coaf no Ministério da Justiça: "Moro diz que não há necessidade"

Sérgio Moro
José Cruz/Agência Brasil - 8.5.19
Ministro Sérgio Moro participou de audiência em comissão na Câmara dos Deputados

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, entrou em contato com os líderes no Senado do PSL, Major Olímpio (SP), e do Podemos, Alvaro Dias (PR), para manifestar preocupação com a possibilidade da medida provisória (MP) que reestrutura os ministérios perder a validade caso o Senado altere o texto que foi aprovado na Câmara para determinar que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) fique no Ministério da Justiça.

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Caso haja mudança, a MP terá que ser votada pela Câmara até o dia 3 de junho. O ministro da Economia, Paulo Guedes, também ligou para Major Olímpio com o mesmo intuito. Alvaro Dias apresentou formalmente a proposta para que o Coaf permaneça com Moro , e não volte para o Ministério da Economia, como a Câmara determinou.

Major Olímpio é um dos principais defensores dessa tese. Depois do contato do ministro, contudo, ambos afirmaram que vão reavaliar sua posição em reuniões com as suas bancadas. "Os dois (Guedes e Moro) estão manifestando essa preocupação e isso está fazendo com que a gente faça uma revisão em relação ao posicionamento", afirmou Olímpio.

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"Fica muito difícil dizer que estamos defendendo o Coaf com o Moro se o Moro está dizendo que não há essa necessidade. Aí é duro. Como você vai advogar a situação de alguém que não quer que você advogue a causa?", questionou.

O líder do PSL afirma que Jair Bolsonaro recebeu uma avaliação equivocada sobre o tema. Ele diz ter pedido uma audiência com Bolsonaro nesta terça, mas ainda não houve resposta. "Meu papel aqui é fazer uma defesa abnegada do governo. Se o governo não se sente defendido, é muito difícil sustentar essa defesa", ponderou.

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De acordo com Alvaro Dias, Moro "agradeceu o empenho", mas ressaltou o risco de toda a reestruturação dos ministérios ser anulada por causa do Coaf. "O ministro mandou uma mensagem ontem ponderando o risco de ser perder a MP. Agradeceu o empenho, mas destacou que há um risco de se perder a MP se a Câmara não aprovar. Eu acho que dá tempo. Mas não vejo grande interesse do governo. O ministro Moro autuou, procurou se mobilizar", disse.