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Em entrevista, filho mais velho do presidente reconhece que "talvez tenha confiado demais" em seu ex-assessor e cobra explicações mais contundentes; Flávio diz que procuradores "querem dar verniz de legalidade" à investigação

Senador Flávio Bolsonaro
Edilson Rodrigues/Agência Senado - 9.5.19
Senador Flávio Bolsonaro negou ter cobrado devolução de parte do salário de seus funcionários na Alerj

O senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) quebrou o silêncio a respeito das investigações que envolvem suposto esquema de 'rachadinha' em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Segundo o filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro, os procuradores do Ministério Público do estado (MP-RJ) sabem que "não tem outro caminho para a investigação a não ser ela ser arquivada", mas mesmo assim  pediram a quebra de seu sigilo bancário e fiscal para tentar "dar verniz de legalidade à investigação".

As declarações foram dadas em entrevista publicada nesta segunda-feira (13) pelo jornal O Estado de São Paulo . Flávio Bolsonaro  reconheceu que faltam esclarecimentos mais contundentes de seu ex-assessor Fabrício Queiroz, pivô do suposto esquema investigado, mas garantiu que não atuou em suposto esquema para cobrar a devolução de parte do salário de seus funcionários.

"Essa história de rachadinha não tem liga com o histórico do nome Bolsonaro. Se eu quisesse esse dinheiro, eu estava rico. Talvez estivesse preso. Não tem por que o Queiroz ter feito isso. Se fez, o que eu não acredito, foi obviamente sem o meu consentimento. Ou eu seria o primeiro a cortar a cabeça dele", garantiu o senador.

"A demora dele em falar me atrapalhou muito. Fui sendo fritado enquanto ele não falava nada", reclamou Flávio. "Talvez tenha sido meu erro confiar demais nele", continuou, acrescentando que não sabe o paradeiro de seu ex-motorista.

"A última vez que falei com Queiroz, foi quando ele teve cirurgia do câncer e liguei para saber se estava tudo bem. E nunca mais falei com ele. Não sei onde ele está, não tenho informação da família, não sei nada", disse o senador.

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Flávio disse ver "desespero" por parte dos investigadores e reclamou da atuação do Ministério Público na condução do caso. "Por que estão querendo agora pedir autorização para quebrar meu sigilo bancário se meu extrato já apareceu na televisão? Eles querem requentar uma informação que eles conseguiram de forma ilegal, inconstitucional. Como viram a cagada que fizeram, agora querem requentar, dar um verniz de legalidade naquilo que já está contaminado e não tem mais jeito. Não tem outro caminho para a investigação a não ser ela ser arquivada – e eles sabem disso. Por isso, o desespero de tentar justificar e correm agora para requerer a quebra do meu sigilo bancário e fiscal."

Flávio também comentou outras polêmicas envolvendo seu nome e o de sua família. Uma delas é sua suposta ligação com a milícia, já que ele homenageou na Alerj ex-policiais que acabaram se tornando alvos de operações neste ano. "Nunca defendi miliciano", defendeu-se Flávio. "Qualquer agente público que esteja à margem da lei tem de ser punido. Agora, lá atrás, quando se começou a discussão, qualquer prédio com três policiais era chamado de milícia. Eu dizia para não generalizar", completou.

O senador também rebateu críticas ao novo decreto das armas, assinado na semana passada pelo seu pai. Flávio Bolsonaro disse que pratica tiro esportivo desde criança e defendeu que essa liberação esteja prevista no texto. "É recomendável que pais possam fazer a apresentação aos filhos para evitar que a curiosidade de uma criança e o desconhecimento do que pode acontecer com uma arma de fogo levem a acidentes. Acho que é recomendável que pais levem os filhos a clube de tiro para evitar acidentes dentro de casa. O poder pátrio que deve prevalecer. Os pais sempre sabem o que é melhor para seus filhos", defendeu.