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Para o ministro da Justiça e Segurança Pública, outras atribuições econômicas faziam com que combate à lavagem de dinheiro ficasse de lado

Moro
Aloisio Mauricio/Fotoarena/Agência O Globo
Moro defendeu Coaf no Ministério da Justiça e Segurança Pública

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, afirmou nesta quarta-feira que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sofria um “descuido” no período em que esteve vinculado ao Ministério da Fazenda, hoje Ministério da Economia. De acordo com Moro, o fato de os titulares da área econômica terem que lidar com um escopo amplo de assuntos fazia com que o combate à lavagem de dinheiro não entrasse na lista das “maiores preocupações”.

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Moro particiou nesta quarta-feira (8) de sessão da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado,  da Câmara dos Deputados .

A reforma administrativa feita pelo presidente Jair Bolsonaro no início do governo levou o Coaf para a alçada do Ministério da Justiça. A medida provisória que promoveu as alterações está sendo analisada por uma comissão no Congresso. O relatório, que será votado nesta quarta, mantém o Coaf sob o comando de Moro, mas há um movimento que reúne parlamentares do centrão e da oposição para aprovar uma emenda que faça com que o Coaf retorne para a Economia.

"Fizemos diagnóstico do Coaf no Ministério da Fazenda anterior e nossa percepção era que o órgão, embora relevante, sofria descuido. Não é demérito do ministro da Fazenda anterior, mas há uma série de preocupações, principalmente do âmbito macroeconômico, como inflação, juros, reforma da Previdência, além de buscar que a economia se desenvolva de maneira intensa e não é das maiores preocupações a questão da lavagem de dinheiro", afirmou Moro.

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Segundo o ministro, o Coaf tinha 37 servidores e hoje tem 56. O objetivo é que o número chegue a 65 até o fim do ano. Ainda de acordo com Moro, o objetivo é aumentar a integração e aumentar o fluxo de informações trocadas com órgãos de investigação, como Ministério Público e Polícia Federal. O ministro destacou ainda a importância das apurações sobre lavagem de dinheiro e patrimônio para enfrentar as organizações criminosas.

"Para o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o Coaf é estratégico, enquanto para o Ministério da Economia, não existe esse interesse tão grande. O ministro Paulo Guedes não tem nenhum movimento no sentido de retomar o Coaf. Permanecem mesmas regras de sigilo e preservação de dados do cidadão. Sabemos que, infelizmente, vazamentos ocorrem, às vezes sem possibilidade de controle, mas o fato é que do Coaf tenho plena certeza que não ocorreram e não devem ocorrer vazamentos no âmbito do Ministério da Justiça", completou  Moro .