Tamanho do texto

Opositores acusaram integrantes da base aliada de terem trocado apoio à reforma pela liberação de R$ 40 milhões; deputado do Podemos chamou colega de "vagabundo" e tentou tomar o microfone – que foi desligado

Plenário da Câmara dos Deputados
Luis Macedo/Câmara dos Deputados - 24.4.19
Plenário da Câmara dos Deputados durante sessão desta quarta-feira (24)

O plenário da Câmara dos Deputados voltou a ser palco de confusão entre parlamentares nesta quarta-feira (24). Durante sessão para votar projetos sobre a anistia a partidos políticos que descumpriram com a regra para candidaturas femininas, a discussão sobre as estratégias do governo para aprovar a reforma da Previdência veio à tona e o tempo fechou.

O tumulto teve origem em reportagem publicada hoje pelo jornal Folha de S.Paulo , segundo o qual o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) se comprometeu a  liberar R$ 40 milhões em verbas para emendas parlamentares àqueles que apoiarem o pacote de alterações nas regras para a aposentadoria. O acordo, ainda segundo o jornal, teria se dado em reunião na residência oficial do presidente da Câmara dos Deputados , Rodrigo Maia (DEM-RJ).

O primeiro a tocar no assunto foi o deputado Glauber Rocha (PSOL-RJ). “Deputado que votou ontem já está sentindo o peso dos seus eleitores que não concordam que suas aposentadorias sejam retiradas”, afirmou Rocha, citando a  votação que sacramentou a primeira vitória do governo em relação à reforma da Previdência , na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

O governista Carlos Jordy (PSL-RJ) rebateu. “O deputado tem de se preocupar com a sua própria base em vez de fazer ataques sujos. Votamos pelo Brasil e, por isso, votamos a favor da Previdência”, assegurou.

O clima esquentou mesmo quando o deputado Aliel Machado (PSB-PR) tomou a palavra e acabou interrompido a gritos de "vagabundo". 

"O governo ofertou R$ 40 milhões para comprar votos. O governo está ofertando cargos. O governo está acertando os deputados. Essa conversa aconteceu em reunião na casa do presidente. Estão se vendendo. Nós não vamos aceitar", dizia Aliel.

"Não nos meça pela sua régua", gritava o deputado José Medeiros (Podemos-MT), integrante da base aliada do governo. Em seguida, o deputado tentou arrancar o microfone das mãos de Aliel e teve início um empurra-empurra no plenário.

Os microfones foram desligados durante a confusão e a sirene foi acionada para que os parlamentares corrigissem a postura – o que não se deu de imediato.

Assista ao vídeo da confusão na Câmara dos Deputados:


Após a confusão, o deputado Carlos Jordy pediu a palavra para rebater as afirmações de que o governo teria apromovido o que é conhecido no meio político como 'toma lá, dá cá'. "Se há algum recebimento de recursos para votar a favor da reforma da Previdência, que se prove. Porque nenhum de nós recebemos um centavo por isso", assegurou o governista.

Leia também: Maia cria comissão especial para discutir reforma da Previdência

O líder do PRB, deputado Jhonatan de Jesus (RR), assegurou que não participou de reunião sobre o suposto acerto do governo para aprovar a reforma na Câmara . “A matéria fala de 'líderes', mas eu não fui consultado”, declarou.

*Com informações da Agência Câmara