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Professor da USP e mestre em economia, ele fez parte da equipe de transição do governo e fazia parte da equipe de Onyx Lorenzoni na Casa Civil

Abraham Weintraub
Divulgação
Abraham Weintraub é economista e fez parte da equipe de transição do governo

O presidente Jair Bolsonaro anunciou, por meio das redes sociais, que Abraham Weintraub substituirá o contestado Ricardo Vélez Rodríguez como ministro da Educação. O nome de Weintraub, que é economista e não tem experiência na área, surpreende especialistas, uma vez que a pasta era cobiçada por militares, olavistas e até pelo PSDB, que não faz parte da base do governo.

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Abraham Weintraub fez parte da equipe que fez a transição do governo Temer para o governo Bolsonaro. Ele e o irmão Arthur, que é advogado especializado em Previdência, trataram do tema e ajudaram a montar a proposta da reforma. 

Os dois são muito próximos do ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. Abraham, inclusive, ocupava o cargo de secretário-executivo da pasta, o número dois dentro do ministério.

Ao anunciar Weintraub, Bolsonaro escreveu que o novo ministro "é doutor, professor universitário e possui ampla experiência em gestão e o conhecimento necessário para a pasta."

No entanto, de acordo com o próprio currículo de Abraham Weintraub, o economista jamais fez doutorado. Na verdade, ele é mestre em Administração na área de finanças pela Faculdade Getulio Vargas, além de ser formado em economia pela Universidade de São Paulo (USP).

Atualmente, Weintraub é docente na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), onde leciona disciplinas relacionadas à economia.

O novo ministro foi conselheiro econômico de Luciano Huck quando o apresentador cogitou se candidatar ao Planalto. Após a desistência do global, ele e o irmão foram apresentados a Bolsonaro por Onyx e passaram a integrar o time de apoiadores do capitão.

"Diante de ameaças é necessário lutar pelo país em que se vive. Os venezuelanos descobriram isso muito tarde. Perderam o controle de sua pátria e hoje são colônia dos ditadores que controlam Cuba. São escravos", disse Abraham ao jornal O Estado de São Paulo , em agosto do ano passado.

"Esquerda ou direita, acho que é uma rotulação pobre. Somos humanistas, democratas, liberais, lemos a Bíblia (Velho e Novo Testamento) e a temos como referência", completou o agora ministro, sobre as posições dele e do irmão.

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Os dois já se envolveram em polêmicas com os próprios alunos da Unifesp. Após um comunicado do diretório acadêmico dizendo que os alunos "repudiavam a associação de nosso corpo docente à pessoa do senhor Jair Bolsonaro, já que coloca em jogo o princípio da instituição, e de nossos valores em defesa da educação pública, gratuita e socialmente referenciada", os professores subiram o tom contra os estudantes em uma resposta escrita, ao afirmar que eles "puxavam a nota da universidade para baixo" e que não tinham conhecimento para "dar lição de moral"

"Ficamos muito indignados com a invasão de nossa vida pessoal. Foi patrulhamento ideológico puro, uma nota de repúdio à nossa liberdade. Fora do trabalho, nossa vida pessoal não diz respeito a ninguém. Não fizemos nada de ilegal, não utilizamos estrutura, dinheiro, e-mail, nada, absolutamente nada da Unifesp", disse Abraham Weintraub, que agora terá que lidar com um corpo muito maior de alunos.

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