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Ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos diz ser "anti-ativismo exagerado", contra descriminalização do aborto, mas quer igualdade salarial

Damares Alves defendeu a criminalização do aborto em qualquer caso, mas afirma que abraça certas pautas feministas
Valter Campanato/Agência Brasil
Damares Alves defendeu a criminalização do aborto em qualquer caso, mas afirma que abraça certas pautas feministas

A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, afirmou nesta segunda-feira (18), em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo , que abraça algumas pautas feministas e que pode ir para as ruas pela igualdade salarial, mas sem "exagero de seios à mostra". 

“Tem pautas feministas que eu abraço. Por exemplo: salários iguais entre homens e mulheres e luta contra a violência. Se for para eu e as feministas irmos para as ruas de braços dados contra isso, eu vou. Mas sem o exagero de seios à mostra”, afirmou Damares Alves

A ministra afirmou ainda que é "anti-ativismo exagerado" e que só apoia pautas feministas que não tenham a "doutrinação que parece pregar o ódio aos homens". 

Em relação a polêmica recente causada em entrevista à Rádio Jovem Pan , em que Damares aconselhou  pais e mães de meninas a deixarem o País para fugir da violência sexual, a ministra afirmou que estava citando dados levantados pela Save the Children, que mostram que o Brasil é o pior país da América do Sul para se criar meninas devido à violência.

Ela alega que a frase foi dita de "forma irônica". "Se houve confusão no entendimento da frase, desfaço aqui: pais e mães de meninas, podem ficar tranquilos. Vamos mudar essa situação para que possam criar suas princesas no Brasil", disse. 

A ministra também defendeu sua posição sobre a descriminalização do aborto, e afirmou ser contra a medida em qualquer situação, mesmo em caso de estupro. "Creio que deva haver lei dura para punir estupradores, mas não para condenar as crianças à morte. Já há gente suficiente para lutar contra isso, e este Ministério vai cumprir a lei", defendeu. 

Damares afirmou ainda que o Ministério vai propor o Estatuto da Gestante e desenvolver políticas que garantam direitos para mães em fase gestacional. A ministra diz ainda que gostaria de incorporar essas propostas ao Estatuto do Nascituro , mas não vai, pois há "pontos polêmicos". 

Quando questionada sobre a criminalização da homofobia, que vem sendo votada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a ministra defendeu que há "uma guerra entre gays e cristãos no Brasil" e que, se o projeto for aprovado, cristãos poderão ser criminalizados por não aceitar. 

"Porque eles entendem que, quando os cristãos dizem que é pecado a prática da homossexualidade, pode estar havendo discriminação. Não é discriminação, é expressão de fé", opinou. 

Para Damares , os "ideólogos da ideologia de gênero" usaram a "dor dos gays" para impor uma guerra com os cristãos e trouxeram um pensamento que prega que ninguém nasce homem ou mulher. "Se ninguém nasce homem ou mulher, ninguém nasce gay ou lésbica também", disse a ministra. 

"Eu respeito os gays e não tenho nada contra a opção sexual deles. Mas há movimentos que utilizaram os gays a serviço de partidos políticos e da ideologia de gênero. É isso que devemos rever", completou. 

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Na entrevista, Damares Alves ainda falou sobre quais serão as principais pautas defendidas pelo Ministério: a proteção integral da criança contra a erotização infantil, obesidade e consumo excessivo, "incluindo indígenas, quilombolas e negros".