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Advogado disse que tinha vergonha do Supremo e ministro mandou chamar a Polícia Federal como defesa; caso aconteceu em voo de São Paulo a Brasília

Ricardo Lewandowski ameaçou prender passageiro que chamou o STF de
Carlos Moura/ SCO/ STF
Ricardo Lewandowski ameaçou prender passageiro que chamou o STF de "vergonha"


O ministro Ricardo Lewandowski passou por um voo bastante conturbado nesta terça-feira (4). De acordo com informações do jornal O Estado de São Paulo , o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) ameaçou prender um passageiro que fez críticas a ele à corte durante a viagem de São Paulo para Brasília.

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 O advogado Cristiano Caiado Acioli, de 39 anos, disse que tem vergonha da atual corte e mais ainda de ser um brasileiro representado por aqueles ministros. Incomodado, Ricardo Lewandowski pediu ajuda da Polícia Federal e ameaçou prender o manifestante.

 “Vem cá, você quer ser preso? Chamem a Polícia Federal, por favor”, diz Lewandowski após a manifestação do advogado.

 O caso ocorreu em um voo da companhia Gol, que partiu do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com destino ao Aeroporto Internacional de Brasília. Nesta terça-feira (4), o ministro participa júri da Segunda Turma do STF que julga um pedido de habeas corpus para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva .

 Além dele, que é presidente e, portanto, media as discussões, compõem a Segunda Turma o relator do caso Edson Fachin, a ex-presidente do Supremo Cármen Lúcia, o decano Celso de Mello e Gilmar Mendes .

 Por exigência de agentes federais, o passageiro foi obrigado a permanecer na aeronave até que Lewandowski deixasse o aeroporto. Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo , o advogado afirmou que não recebeu nenhuma informação sobre os motivos para que permanecesse retido.

Segundo a assessoria da PF, Acioli está sendo ouvido por um delegado e ainda se encontra retido, embora não haja acusação formal contra ele.

 Não é a primeira vez que um ministro do Supremo é hostilizado durante voos. Gilmar Mendes também foi xingado em viagem realizada em avião comercial, em janeiro. Dias antes, ele tinha sido xingado durante viagem a Portugal . Um brasileiro encontrou o magistrado em um restaurante e perguntou se ele “não tinha vergonha na cara”.

Após os acontecimentos, o ministro chegou a fazer viagens em aviões de Força Áera Brasileira (FAB) para ter mais segurança.

 Nomeado pelo então presidente Lula para o Supremo, Ricardo Lewandowski pode permanecer no cargo até 2023, quando a lei obriga que ele se aposente. O ministro era presidente do Tribunal durante as votações e análises que antecederam o impeachment de Dilma Rousseff.

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