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MPF também conduz investigação e deve ouvir futuro ministro da Economia na próxima quarta-feira (5); economista é acusado de gestão fraudulenta

Paulo Guedes e administradores das entidades de previdência complementar são alvo da apuração da PF e do MPF
José Cruz/Agência Brasil
Paulo Guedes e administradores das entidades de previdência complementar são alvo da apuração da PF e do MPF

O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, será investigado pela Polícia Federal por supostas fraudes em negócios com fundos de pensão patrocinados por estatais.

O inquérito contra Paulo Guedes foi aberto a pedido do Ministério Público Federal em Brasília, que também abriu procedimento preliminar a respeito, com base em irregularidades apontadas pela Previc (Superintendência Nacional de Previdência Complementar).

A investigação da PF deve apurar se Guedes cometeu crimes de gestão fraudulenta ou temerária ao captar, por meio de um fundo de investimentos, recursos de sete entidades de previdência complementar de empregados de empresas públicas. Também será averiguada a hipótese de emissão e negociação de títulos sem lastros ou garantias suficientes.

Em nota, a defesa de Guedes informou que “reafirma a lisura de todas as operações do fundo que, diga-se de passagem, deu lucro aos cotistas, incluindo os fundos de pensão”. “Espera também que a investigação – agora corretamente conduzida no âmbito da Polícia Federal – apure as incoerências do relatório irregular produzido na Previc”, afirmou. Além do futuro ministro de Jair Bolsonaro, os administradores das entidades de previdência complementar também são alvo da investigação.

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Em outubro, o MPF também abriu investigação para apurar se ele obteve "benefícios econômicos" por meio de supostas fraudes envolvendo o FIP Brasil de Governança Participativa. Esse fundo de investimento é controlado pelo economista de Bolsonaro e teria recebido, de maneira irregular, aportes de fundos de pensão de estatais como Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobras), Funcef (Caixa) e Postalis (Correios).

A FIP Brasil captou um total de R$ 1 bilhão junto a esses fundos de pensão, mediante a venda de cotas de investimentos, no período entre 2009 e 2013. Segundo as informações prestadas pela Previc ao MPF, os servidores aposentados que têm dinheiro nesses fundos de pensão acabaram perdendo dinheiro devido aos investimentos escolhidos pela FIP.

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Na Procuradoria, a investigação é conduzida pelo procurador Alselmo Henrique Cordeiro Lopes. Está previsto para a próxima quarta-feira (5) depoimento de Paulo Guedes à Procuradoria. Será a primeira vez em que ele falará a investigadores sobre as suspeitas.

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