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Juiz Néviton Guedes defendeu que antes de qualquer depoimento do ex-ministro da Fazenda, a defesa de Lula precisa ser consultada; em agosto, Palocci disse que ex-presidente acertou propinas com Nicolas Sarkozy

Depoimento de Antonio Palocci em ação contra Lula foi suspenso por tempo indeterminado
Reprodução/ JFPR
Depoimento de Antonio Palocci em ação contra Lula foi suspenso por tempo indeterminado


O ex-ministro da Fazenda durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, Antonio Palocci, foi dispensado por tempo indeterminado de depor em ação de compras de caças para a FAB junto ao governo francês pelo ex-presidente. O juiz Néviton Guedes, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, entendeu que antes de qualquer depoimento, a defesa de Lula precisa ser consultada .

Em princípio, Antonio Palocci daria o depoimento por ter mencionado em delação feita a procuradores em agosto, que Lula tratou de propinas com o então presidente francês, Nicolas Sarkozy, antes de realizar as compras de caças suecos junto à empresa Saab. Na época, o Brasil adquiriu 36 aviões.

A compra dos caças para a Força Área Brasileira aconteceu em 2009, no penúltimo ano de mandato do petista. Segundo o ex-ministro, a reunião para tratar dos valores das propinas aconteceu no mesmo ano.

“O presidente Lula chegou a assinar um protocolo com o presidente Nicolas Sarkozy no dia 7 de setembro, uma iniciativa completamente inadequada. Isso gerou todo o tipo de propina”, afirmou na delação.

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Diante dos relatos, o juiz Vallisney Oliveira, responsável pela ação em que Lula é réu em Brasília na Operação Zelotes, resolveu reabrir o período de declarações e autorizou o depoimento de Antonio Palocci.

“As declarações sucintas e diretas de Antonio Palocci, que já foi ministro da Fazenda e depois ministro da Casa Civil, precisam ser contrastadas em Juízo com as demais provas, em especial as provas contrárias produzidas, sob pena de que palavras soltas, sem os devidos esclarecimentos, possam gerar mais dúvidas com repercussão na verdade processual”, escreveu o juiz em sua decisão.

O ex-ministro da Fazenda está preso na Superitendência da Polícia Federal em Curitiba desde setembro de 2016 e já foi condenado pelo juiz Sérgio Moro a 12 anos de detenção na Operação Lava Jato acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro em benefício da empreiteira Odebrecht.

Além do caso na Operação Zelotes, Antonio Palocci é um dos delatores na Operação Lava Jato, que investiga o pagamento de propinas de empreiteiras durante os governos de Lula e Dilma Rousseff.

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