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Atual deputado federal pelo PP estava preso em Rondonópolis desde sexta-feira (9), quando foi deflagrada a Operação Capitu; ministro do STJ entende que parlamentar está colaborando no caso

Neri Geller é acusado de ter recebido propina quando foi ministro da Agricultura
Agência Brasil
Neri Geller é acusado de ter recebido propina quando foi ministro da Agricultura


Ex-ministro da Agricultura e atual deputado federal pelo estado do Mato Grosso, Neri Geller (PP) deve ser solto nesta segunda-feira (12). O político foi beneficiado por uma decisão do ministro Nefi Cordeiro, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que pediu a soltura do parlamentar na noite do último domingo (11).

Neri Geller estava preso desde sexta-feira (9), quando foi deflagrada a Operação Capitu , que prendeu, além do deputado federal, o ex-secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura Rodrigo Figueiredo, o atual vice-governador de Minas Gerais Antônio Andrade (MDB), o presidente do grupo J& F Joesley Batista, os ex-diretores executivos da empresa Ricardo Saud e Demilton Castro, entre outros executivos acusados de corrupção no Ministério da Agricultura para beneficiar a JBS.

As prisões da Operação Capitu se deram baseadas em delações do doleiro Lúcio Funaro, apontado como operador do MDB e que cumpre prisão domiciliar.

Neri Geller foi preso em um hotel de Rondonópolis, a 281 quilômetros de Cuiabá, onde participaria de um evento agropecuário. Horas depois, foi encaminhado para Penitenciária Major Eldo de Sá Corrêa, na mesma cidade.

Reeleito deputado federal em 2018, o parlamentar esteve na pasta da Agricultura entre março de 2014 e dezembro de 2015, período em que, segundo investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, foram pagas propinas pelo grupo J&F para conseguir vantagens .

 O político do PP estava preso provisoriamente por cinco dias acusado de ter recebido “mensalinho” de R$ 250 mil. Na decisão de soltura, o ministro Nefi Cordeiro entendeu que tanto o deputado como Rodrigo Figueiredo estão colaborando com a Justiça, tendo inclusive assinados acordos de colaboração premiada. Desta forma, não via motivo para mantê-los na prisão.

 “A falta de completude na verdade pode ser causa de rescisão do acordo ou de proporcional redução dos favores negociados, mas jamais causa de risco ao processo ou à sociedade, a justificar a prisão provisória (...). A prisão temporária exige dar-se concretizado risco às investigações de crimes graves e a tanto não serve a omissão de plena colaboração no acordo negociado da delação premial”, escreveu o ministro na decisão.

Segundo delações, a empresa de frigoríficos JBS pagou mais de R$ 30 milhões apenas a membros relacionados ao ministério durante o governo Dilma Rousseff. Antes de Neri Geller , Antônio Andrade, atual vice-governador de Minas Gerais , esteve no comando da pasta. O esquema teria sido intermediado pelo então deputado federal Eduardo Cunha e pelo operador financeiro Lúcio Funaro.

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