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Após ser derrotado por Jair Bolsonaro (PSL) nas eleições presidenciais, o petista afirmou que fará uma "oposição de fé" e defenderá a democracia

Ricardo Stuckert
"Queria agradecer a todos que ficaram com a gente, que nos levaram ao segundo turno e nos levaram a ter 45 milhões de votos", disse Fernando Haddad durante discurso transmitido em rede nacional

Na noite deste domingo (28), Fernando Haddad (PT) se pronunciou em rede nacional após ser derrotado por Jair Bolsonaro (PSL) nas eleições presidenciais. Em discurso a correligionários e militantes do partido, Haddad agradeceu os apoiadores pelos 45 milhões de votos recebidos e prometeu respeitar a democracia e ser uma oposição corajosa, que defenderá a liberdade das minorias e dos marginalizados.

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"Queria agradecer a todos que ficaram com a gente, que nos levaram ao segundo turno e nos levaram a ter 45 milhões de votos", disse Fernando Haddad . "Sei que muita gente saiu às ruas e passou a panfletar pelo país inteiro, passou a dialogar e tentar reverter o quadro anunciado. Houve uma conscientização muito grande sobre o que estava em jogo".

Para Haddad, as instituições do Estado democrático de direito começaram a ser colocadas à prova em 2016, após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. O petista também citou a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, considerada injusta por ele e por apoiadores de seu partido.

"Mesmo assim, seguimos com determinação para levar nossa mensagem à periferia, aos idosos, à comunidade LGBT, aos brancos, aos negros, católicos, evangélicos", pontuou o ex-prefeito de São Paulo. "Fomos a todos os rincões levar a mensagem de que a democracia é um valor que está acima de todos nós. Vamos defender a liberdade desses brasileiros que nos acompanharam até aqui".

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Ainda segundo Haddad, crítico das propostas reformistas do atual presidente Michel Temer, os direitos civis, trabalhistas e sociais estão em jogo neste momento, o que lhe dá a responsabilidade ser oposição – uma oposição corajosa. O petista garantiu que não aceitará provocações e ameaças e que, mesmo não tendo sido eleito, tem um compromisso com o País.

Fazendo referência à letra do hino nacional, Haddad disse que o povo verá que "um professor não foge à luta" e que não deixará o Brasil para trás. "Coloco o País acima da minha própria vida. Vamos colocá-lo acima de tudo, defendendo os diferentes pontos de vista e respeitando a democracia e as instituições. Temos que fazer uma oposição de fé", discursou o petista.

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Fernando Haddad ainda prometeu continuar sua caminhada e se reconectar com as pessoas, especialmente os mais pobres. "Daqui a quatro anos teremos uma nova eleição. Talvez o Brasil nunca tenha precisado tanto do exercício da cidadania como agora", disse o professor. "Senti uma angústia e um medo na expressão de muitas pessoas, que chegavam a soluçar de tanto chorar. Mas não tenham medo; a vida é feita de coragem. Viva o Brasil!", concluiu.