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Ex-presidente pediu união do centro político contra posições “radicais” nas eleições e criticou planos de governos incapazes de tirar o país da crise

Fernando Henrique Cardoso pediu união do centro político contra posições “radicais” nas eleições de 2018
Agência Brasil
Fernando Henrique Cardoso pediu união do centro político contra posições “radicais” nas eleições de 2018

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso divulgou uma carta nesta quinta-feira (20) “aos eleitores e eleitoras” em que fala sobre o momento político do Brasil e pede união do centro político contra posições “radicais” nas eleições de 2018 .

"Ante a dramaticidade do quadro atual, ou se busca a coesão política, com coragem para falar o que já se sabe e a sensatez para juntar os mais capazes para evitar que o barco naufrague, ou o remendo eleitoral da escolha de um salvador da Pátria ou de um demagogo, mesmo que bem intencionado, nos levará ao aprofundamento da crise econômica, social e política", escreveu Fernando Henrique Cardoso . "Ainda há tempo para deter a marcha da insensatez."

O ex-presidente esboça um retrato sobre a atual situação econômica do país, aponta que muitas propostas de presidenciáveis são “irreais” e não são capazes de tirar o Brasil da crise. Além disso, FHC aponta a falta de apoio político de alguns candidatos. “Qualquer dos polos da radicalização atual que seja vencedor terá enormes dificuldades para obter a coesão nacional suficiente e necessária para adoção das medidas que levem à superação da crise”.

Na carta, o ex-presidente aponta como representantes da "radicalização dos sentimentos políticos" o candidato Jair Bolsonaro (PSL) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atualmente trocado por Fenando Haddad como candidato do PT. 

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"A gravidade de uma facada com intenções assassinas haver ferido o candidato que está à frente nas pesquisas eleitorais deveria servir como um grito de alerta: basta de pregar o ódio, tantas vezes estimulado pela própria vítima do atentado. O fato de ser este o candidato à frente das pesquisas e ter ele como principal opositor quem representa um líder preso por acusações de corrupção mostra o ponto a que chegamos", escreve FHC.

"Sem que haja escolha de uma liderança serena que saiba ouvir, que seja honesto, que tenha experiência e capacidade política para pacificar e governar o país; sem que a sociedade civil volte a atuar como tal e não como massa de manobra de partidos; sem que os candidatos que não apostam em soluções extremas se reúnam e decidam apoiar quem melhores condições de êxito eleitoral tiver, a crise tenderá certamente a se agravar", afirma Fernando Henrique Cardoso .

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