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Ex-ministro garantiu não saber de vantagem indevida ao petista; Moro buscou esvaziar depoimento fazendo paralelo com casos Dirceu e Palocci

Gilberto Gil prestou depoimento ao juiz Sérgio Moro sobre sítio associado a Lula
Reprodução/JFPR
Gilberto Gil prestou depoimento ao juiz Sérgio Moro sobre sítio associado a Lula

O cantor e compositor Gilberto Gil disse ao juiz federal Sérgio Moro que, durante o período em que esteve à frente do Ministério da Cultura (entre 2003 e 2008), não chegou a ter conhecimento de nenhuma solicitação ou recebimento de vantagem indevida por parte do então presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Gilberto Gil prestou depoimento na condição de testemunha da defesa de Lula no âmbito da ação penal da Operação Lava Jato que trata do  sítio de Atibaia (SP) atribuído pela acusação ao ex-presidente.

Questionado pelo advogado que representa Lula nesse processo, Cristiano Zanin Martins, se alguma vez "presenciou ou teve notícia de algum ato que pudesse sugerir que Lula havia solicitado ou recebido vantagem indevida em troca de atos como presidente", o ex-ministro foi sucinto: "Não, nunca".

A mesma resposta foi dada pelo cantor e compositor ao ser questionado sobre eventual compra de apoio parlamentar praticada pelo petista e também sobre as supostas vantagens oferecidas pelas construtoras Odebrecht ou OAS ao ex-presidente por meio da reforma do sítio Santa Bárbara . "Nunca tive notícia de nada disso", garantiu Gil.

Sérgio Moro esvazia relevância do depoimento de Gilberto Gil

Durante o curto depoimento, de apenas 10 minutos de duração, o juiz Sérgio Moro foi o único a fazer perguntas ao ex-ministro além do advogado de Lula . O magistrado buscou confirmar que Gil conhecia os ex-ministros José Dirceu e Antonio Palocci, além do publicitário João Santana. O ex-chefe do MinC confirmou, mas disse não saber que nenhum deles praticava crimes. 

"O senhor tem conhecimento que, tanto Antonio Palocci quanto João Santana são  confessos em relação à prática de crimes de corrupção e lavagem de dinheiro?", continuou Moro. "Tenho ouvido notícias a respeito dessa possibilidade", disse Gil. "Mas, na época, o senhor não tinha conhecimento?", emendou o juiz. "Não", respondeu o ex-ministro. "Tá certo", finalizou o juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba.

Nessa ação penal em que Gilberto Gil prestou depoimento, é apurada suposta vantagem indevida destinada ao ex-presidente Lula por meio das obras no sítio Santa Bárbara. A lista de réus inclui, além do petista, outras 12 pessoas, dentre elas os empreiteiros Léo Pinheiro (OAS), Emílio Odebrecht e seu filho, Marcelo Bahia Odebrecht, o pecuarista José Carlos Bumlai, o advogado Roberto Teixeira e Fernando Bittar, que é o dono oficial do sítio de Atibaia.

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