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"Quero entrar na fase de dar palpite", afirma o governador do Rio, que diz não saber quem quer para presidente pois "está trabalhando muito para pensar"

Segundo o governador  do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, o clima do ambiente político do País é muito ruim
Valter Campanato/Agência Brasil - 26.1.2017
Segundo o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, o clima do ambiente político do País é muito ruim

O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (MDB) está cansado da vida ativa política e avisou que, a partir de janeiro, quer entrar na "fase de dar palpite" – ou seja, quer 'sair' da vida política e, sem cargos, assumir o papel de ex-governador fluminense. Afinal, segundo ele, a 'vida dos políticos no Brasil é cruel'.

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"Acho muito cruel a vida do político", disse Pezão . "Se, em janeiro, eu arranjar um emprego numa empresa para a qual dei um benefício fiscal, vou apanhar. Se for para um cargo público, você apanha de tudo que é jeito", continuou, dizendo que só com o dinheiro da sua aposentadoria – que deve ser de R$ 5.100 – mais o da sua mulher, 'não dá para viver'.

As declarações do governador do Rio foram dadas em uma entrevista publicada pela Folha de S. Paulo nesta quarta-feira (1º). Ainda nessa entrevista, o emedebista reclamou da hostilidade excessiva no ambiente político: "há um excesso de poder de órgãos fiscalizadores. Inviabiliza o Executivo", disse.

Segundo o governador, o clima do ambiente político do País é muito ruim: "Joga todo mundo na vala comum, parece que o mal é só na política, pô. Quem vai resolver os problemas são os políticos. Não se faz política sem político", disse.

"Um dos males é que a gente criou um excesso de poder desses órgãos fiscalizadores, e são muitos hoje. Você tem que prestar conta a tantos órgãos que ficou inviabilizado você ser Executivo. Você pendura seu CPF para trabalhar, pô. TCU, TCE, CGU, MP Federal, MP estadual, TRE, TJ, não sei", afirmou.

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"Tem tanto órgão a que você é submetido que você fica mais tempo respondendo a ação. Diante de tanto escândalo, não é necessário prestar contas? Claro, não sou contra a transparência. Acho que tem que ser tudo demonstrado. Agora, é muita gente para fazer a mesma coisa", continuou.

O que faz Pezão hoje e quem ele apoia para o governo do Rio?

Eduardo Paes receberá o apoio do MDB nestas eleições e, consequentemente, de Pezão
Tomaz Silva/Agência Brasil - 25.3.15
Eduardo Paes receberá o apoio do MDB nestas eleições e, consequentemente, de Pezão

Na conversa, ele declarou que não tem candidato para o governo do estado, mas que seu voto será em Eduardo Paes (DEM), pois é quem a legenda declarou que vai apoiar. Para presidente, disse que não sabe em quem votar e ainda emendou, no assunto pleito, que está 'trabalhando tanto que nem tem tempo de ficar olhando muito eleição'.

Governador de um estado que está sofrendo uma intervenção federal na segurança pública e que vive um rombo financeiro – que impossibilita novos investimentos –, o político do Rio de Janeiro foi questionado a respeito de como tem gastado o seu tempo, 'trabalhando tanto' como diz.

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"Tenho feito muita obras, toda sexta inauguro obras. Estou fazendo o maior investimento de saneamento do Brasil, botando água na Baixada Fluminense inteira. De 15 em 15 dias inauguro obra", afirmou. "Estou aí, pô", garantiu Pezão .

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