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Segundo ministro, ainda restam 519 pontos de bloqueios em razão dos protestos dos caminhoneiros; no entanto, interdições são todas parciais

Ministro da Defesa, Raul Jungmann indicou que houve adesão ao acordo proposto com caminhoneiros
Marcelo Camargo/Agência Brasil - 22.9.17
Ministro da Defesa, Raul Jungmann indicou que houve adesão ao acordo proposto com caminhoneiros

Em nova entrevista sobre a greve na tarde desta sexta-feira (25), o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, afirmou que dos 933 pontos interditados por caminhoneiros em rodovias federais de todo o país, 419 foram liberados até esta tarde.

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Mesmo com a redução de quase 45% das vias bloqueadas em razão dos protestos de caminhoneiros , ainda restam 519 interdições, sendo nenhuma total, ou seja, há passagem para carros liberada em algumas faixas, de acordo com o ministro.

"As obstruções que continuam, todas elas são parciais, o que aponta para a adesão crescente dos senhores caminhoneiros ao acordo que foi fechado no Palácio do Planalto", declarou Jungmann.

Em seu quinto dia de manifestação, as paralisações continuam, mesmo após a reunião entre o governo e representantes de entidades de caminhoneiros terem chegado a uma proposta de acordo para suspender os protestos por 15 dias.

Além de Jungmann, outros ministros que integram o grupo de trabalho formado para acompanhar a crise em razão do movimento dos caminhoneiros participaram da entrevista coletiva no Palácio do Planalto.

Eliseu Padilha, da Casa Civil, Carlos Marun, da Secretaria de Governo, Sérgio Etchegoyen, do Gabinete de Segurança Institucional,  e Joaquim Luna, da Defesa estavam presentes e também responderam às perguntas.

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Locaute

O ministro da Segurança declarou que a Polícia Federal abriu inquérito e deve ouvir 20 empresários de transportadoras para investigar se houve locaute - quando patrões, distribuidoras, transportadoras e grandes empresas têm participação no movimento para ampliar suas margens de lucro -, o que é ilegal e punível com prisão e multa.

"Greve é direito constitucional; locaute é ilegalidade", definiu. "Nós vamos ver quem está tirando proveito das reivindicações de trabalhadores. Se há patrões explorando os trabalhadores e o sofrimento da população", completou Jungmann. O ministro disse que se o locaute for comprovado, os infratores serão enquadrados em sete tipos de crimes.

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Sérgio Etchegoyen, disse que as forças federais já estão atuando para normalizar a distribuição de produtos no país. Segundo ele, uma das refinarias da Petrobras no Rio de Janeiro, já reiniciou a distribuição de combustível no estado.

“A refinaria Duque de Caxias já normalizou quase na integralidade, o que vai limpando o horizonte para nós. Haverá o tempo necessário para reposição de estoques, mas reinicia o abastecimento”, disse. O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmou que muitos caminhoneiros estão respeitando o acordo firmado ontem com o governo federal.

De acordo com o ministro Padilha, informações da Polícia Rodoviária Federal e do GSI mantém a cúpula do governo informada.

“O acordo está sendo observado por muitos. Temos monitoramento minuto a minuto. Postos da Polícia Rodoviária Federal municiam com informações e o Gabinete de Segurança Institucional vai acompanhando minuto a minuto o que vai acontecendo”. Segundo ele, uma “minoria barulhenta” tem atrapalhado o processo de volta à normalidade nas estradas.

Forças Armadas

O governo informou ainda que vai acionar as forças de segurança federais para liberar as estradas e as Forças Armadas serão utilizadas para garantir o abastecimento da população.

De acordo com o Jungmman, o presidente Michel Temer deverá editar um decreto para permitir a requisição de bens, prevista na Constituição, para que alimentos, combustíveis, medicamentos e insumos cheguem aos estados.

Ele acrescentou que os militares têm o respaldo legal para assumir a direção dos caminhões dos grevistas, se assim necessário. “O artigo 5, inciso 25 da Constituição Federal permite a requisição de bens, caso se faça necessário, em condições de pilotar veículo para que o desabastecimento seja contido e voltemos a ter distribuição regular”.

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