Tamanho do texto

Presidente do conselho do Instituto Vladmir Herzog escreveu ao ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes (PSDB), pedindo que ele atue junto ao governo dos EUA pela liberação de documentos sobre ditadura no Brasil

Ernesto Geisel, presidente durante a ditadura militar , durante jantar oferecido ao Presidente dos EUA Jimmy Carter
Reprodução/ National Archives and Records Administration
Ernesto Geisel, presidente durante a ditadura militar , durante jantar oferecido ao Presidente dos EUA Jimmy Carter

O Ministério das Relações Exteriores vai pedir ao governo dos Estados Unidos a liberação dos documentos sobre a ditadura militar no Brasil que foram produzidos pela Agência Central de Inteligência (CIA, sigla em inglês).

O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, instruiu a embaixada brasileira em Washington, nos EUA, a solicitar a liberação completa dos registros sobre a ditadura  militar . A medida é em resposta à solicitação do Instituto Vladimir Herzog, que enviou uma carta na última sexta-feira (11) ao Itamaraty pedindo ao governo federal a liberação dos documentos que registram a participação de agentes do Estado brasileiro em ações de tortura ou assassinato de opositores do regime.

O pedido se dá após a revelação de papéis que afirmam que o ditador Ernesto Geisel, um dos militares que presidiu o país durante a ditadura, sabia e aprovava os assassinatos de opositores do regime.

O jornalista Vladmir Herzog, pai de Ivo, foi uma das muitas vítimas do governo militar brasileiro. O próprio ministro Aloysio Nunes, também, passou à clandestinidade nos “anos de chumbo” por sua atuação contrária ao regime ditatorial.

“A família Herzog vem a vossa senhora solicitar manifestação do Ministério de Estado das Relações Exteriores solicitando ao governo norte americano a liberação completa dos registros realizados pela CIA que documentam a participação dos agentes do Estado brasileiro em operações para torturarem ou assassinarem cidadãos brasileiros”, diz um trecho da carta.

“O senhor, assim como a nossa família, sabe o que foi o terror e a violência promovida pela ditadura brasileira. Uma nação precisa conhecer sua história para prevenir que os erros do passado se repitam”, conclui o documento.

Documento estarrecedor

O documento secreto liberado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos  revela que o ex-presidente Ernesto Geisel  aprovou a continuidade das “execuções sumárias” dos adversários do regime militar, referidos como “subversivos” e “terroristas”.

Além de permitir os assassinatos, ele orientou a centralização das ações no Palácio do Planalto através do Serviço Nacional de Informações (SNI).

Segundo o documento assinado pelo então Diretor de Inteligência da CIA, William Egan Colbim, encaminhado ao Secretário de Estado, Henry Kissinger, o então recém-empossado presidente Ernesto  Geisel  (1974-1979) decidiu “continuar as execuções sumárias de adversários” da ditadura no Brasil.

Leia também: “Quem nunca deu tapa no filho e se arrependeu?”, diz Bolsonaro sobre Geisel

Geisel ainda teria orientado o então chefe do SNI, João Baptista Figueiredo, que o substituiria no poder da ditadura militar em 1979, a autorizar pessoalmente os assassinatos, levados a cabo pelo Centro de Inteligência do Exército (CIE). Com isso, o militar assumiria as execuções, trazendo os assassinatos para dentro da cúpula do Planalto.

* Com informações da Agência Brasil

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.