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Raul Jungmann, ministro da Segurança, afirmou que governo não tem conhecimento sobre documentos da CIA sobre ditadura no Brasil; papéis apontam que presidente Geisel sabia e aprovava assassinatos de opositores

Para Jungmann, ministro de Temer, revelação sobre envolvimento de alta cúpula do governo com mortes durante a ditadura não afeta o prestígio das Forças Armadas
Fernando Frazão/Agência Brasil
Para Jungmann, ministro de Temer, revelação sobre envolvimento de alta cúpula do governo com mortes durante a ditadura não afeta o prestígio das Forças Armadas

Raul Jungmann , ministro da Segurança Pública, disse nesta sexta-feira (11) que o governo não tem “conhecimento oficial” do memorando da CIA (serviço de inteligência dos Estados Unidos) que revela que o ex-presidente Ernesto Geisel (1974-1979) autorizou o Centro de Inteligência do Exército (CIE) a continuar a política de execuções sumárias contra opositores da ditadura militar no Brasil adotadas durante o governo de Emílio Garrastazu Médici.

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“Não estamos aqui a desconsiderar nem desfazer de nenhuma notícia ou reportagem, mas é preciso ter acesso oficial de governo a governo para se poder fazer um comentário que se possa e que se deva fazer no caso de as informações serem, de fato, confirmadas”, disse o ministro.

O memorando tornado público pelo Departamento de Estado dos EUA data de 11 de abril de 1974 e é assinado pelo então diretor da CIA Willian Colby e endereçado ao secretário de Estado dos EUA na época, Henry Kissinger.

Nele, Colby detalha que Geisel, ao assumir o poder, foi informado de que 104 pessoas haviam sido mortas em 1973 pelo governo de Emílio Garrastazu Médici (1969-1974). Na ocasião, o Centro de Informações do Exército (CIE), órgão responsável pela política de tortura e assassinatos de adversários políticos da ditadura , recebeu autorização de Geisel para manter o método.

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Além do aval do Planalto, as execuções também deveriam ser precedidas de consulta ao então diretor do Serviço Nacional de Informações (SNI), general João Baptista Figueiredo, sucessor de Geisel na Presidência da República, entre 1979-1985.

Jungmann opinou que, apesar dos documentos que agora vêm à tona, o prestígio das Forças Armadas permanece “nos mesmos níveis em que se encontram até aqui”.

“As Forças Armadas são um ativo democrático que o país hoje tem. E isso, evidentemente, que não é tocado por uma reportagem. Chamo a atenção: não temos acesso a documentos oficiais e isso só poderá acontecer, ou seja, um pronunciamento oficial, quando tivermos acesso direto a esses documentos”, acrescentou.

Sobre um possível pedido ao governo norte-americano dos documentos, Jungmann disse que esta não é uma decisão da sua pasta. “Não é minha área, não é decisão minha, mas eu acho que alguma deve ser tomada. Quem deve tomar essa decisão são aqueles que são responsáveis por essa área. Não me cabe, portanto, invadir a competência de outro ministro e muito menos uma decisão governamental”, disse o ministro.

* Com informações da Agência Brasil

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