Tamanho do texto

Ex-chefe de gabinete disse a Moro que Lula estava hesitante sobre a compra do sítio, pois Dona Marisa "gostava muito" do lugar, mas ele achava distante

Ex-ministro Gilberto Carvalho prestou depoimento como testemunha em ação sobre sítio de Atibaia
Reprodução/JFPR
Ex-ministro Gilberto Carvalho prestou depoimento como testemunha em ação sobre sítio de Atibaia

O ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência Gilberto Carvalho prestou depoimento nesta quarta-feira (9) como testemunha de defesa na  ação penal da Lava Jato que apura suposto pagamento de vantagem indevida ao ex-presidente Lula por meio de reformas no sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP).

O ex-chefe de gabinete de Lula  reforçou ao juiz Sérgio Moro que o petista efetivamente pensava em comprar o sítio, que pertence oficialmente ao empresário Fernando Bittar, filho de Jacó Bittar, que é um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT) e amigo pessoal do ex-presidente.

Gilberto Carvalho explicou que Lula estava hesitante em relação à aquisição, pois considerava a chácara de Atibaia "muito longe". O petista queria algo mais perto de onde morava com a ex-primeira-dama Marisa Letícia, tal como o sítio Los Fubangos, famosa propriedade localizada às margens da represa Billings, em São Bernardo do Campo (SP).

"O presidente me relatou que a Marisa o chamou dizendo que o Fernando [Bittar] ofereceu a chácara para eles usarem como quisessem. Aí ele foi me mostrar o lugar e falou que estava com uma dúvida porque a Marisa gostava muito de lá, mas ele achava muito longe e preferia algo mais perto", relatou o ex-ministro. "Então, pra mim, a chácara era do Fernando, que ofereceu para eles", reforçou.

A versão do ex-ministro complementa o que havia dito nessa quinta-feira (8) Paulo Okamoto , presidente do Instituto Lula. Ele afirmou que o ex-presidente avaliava comprar o sítio Santa Bárbara como um presente para Dona Marisa, que morreu no início do ano passado.

Carvalho confirmou também que houve tratativas com Fernando Bittar para que o sítio de Atibaia armazenasse parte do acervo do ex-presidente após ele deixar o Planalto, no fim de 2010. O ex-ministro, por outro lado, garantiu que nunca teve notícias de supostas reformas no imóvel que visassem favorecer Lula. "Nunca foi comentado comigo por parte de qualquer pessoa essa história da chácara. Só fui saber depois disso", afirmou.

Leia também: Caseiro de sítio em Atibaia enviava fotos de pedalinhos ao Instituto Lula

Relação de Lula com a Odebrecht

Gilberto Carvalho explicou a Moro que o ex-presidente tinha contato com três pessoas da empreiteira Odebrecht: o patriarca da família, Emílio Odebrecht, seu filho e ex-presidente da construtora, Marcelo Odebrecht, e o ex-executivo Alexandrino Alencar. Os três também estão na lista de réus nessa ação penal, que inclui ainda outras nove pessoas (além do ex-presidente).

Segundo o ex-ministro, essa relação do petista com representantes da Odebrecht, especialmente com Emílio, dava-se com "certa regularidade" e tinha como mote a discussão de "pautas econômicas", como a presença de empresas brasileiras na África. 

A ação sobre o imóvel de Atibaia apura se as reformas feitas no sítio, no valor de R$ 1 milhão, seriam uma forma de as construtoras OAS e Odebrecht pagarem vantagem indevida a Lula . O ex-presidente nega as acusações.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.