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Segundo advogado do casal, marqueteiros "ratificaram" informação de que campanha do petista à Prefeitura de SP envolveu caixa dois de R$ 20 milhões

Ex-prefeito Fernando Haddad foi indiciado por supostamente ter recebido doação ilegal da UTC Engenharia
Antonio Cruz/Agência Brasil - 27.10.16
Ex-prefeito Fernando Haddad foi indiciado por supostamente ter recebido doação ilegal da UTC Engenharia

Os marqueteiros João Santana e Mônica Moura prestaram novo depoimento à Polícia Federal na tarde desta terça-feira (8) no âmbito do inquérito que apura supostos crimes cometidos no âmbito da campanha que elegeu Fernando Haddad (PT) prefeito de São Paulo, em 2012.

O depoimento foi tomado na sede da PF na capital paulista e, de acordo com o advogado do casal, Juliano Capelo Prestes, João Santana e Mônica reafirmaram aquilo que já haviam dito aos investigadores em novembro do ano passado. Na ocasião, os publicitários narraram pagamentos na cifra de R$ 20 milhões via caixa dois para a campanha de Fernando Haddad . "Os termos do depoimento não diferem do que consta no acordo que foi homologado", afirmou o defensor.

João Santana e Mônica Moura têm acordo de delação premiada e atualmente cumprem prisão domiciliar – condição que deve se manter ainda por mais um ano e meio.

Haddad foi indiciado nesse processo após investigações da Operação Cifra Oculta , um desdobramento da Lava Jato que teve como alvo suposta doação irregular de R$ 2,6 milhões da UTC Engenharia para bancar os serviços de uma gráfica durante a campanha do petista.

Além do ex-prefeito, também foram indiciados o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto; o ex-vereador Chico Macena; o ex-deputado estadual Francisco Carlos de Souza (PT), e outras três pessoas ligadas às gráficas sob suspeita.

A PF abriu esse inquérito após o ex-presidente da UTC, Ricardo Pessoa, declarar em seu acordo de delação premiada que "efetuou pagamento à margem, em contabilidade paralela da campanha de Haddad". O delagado responsável pelo caso, Rodrigo de Campos Costa, disse que algumas das gráficas sob suspeita são ligadas ao ex-deputado Francisco de Souza e que os valores pagos às empresas eram "muito superiores" aos declarados à Justiça Eleitoral.

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O que diz Haddad

À época do indiciamento, Haddad afirmou, por meio de sua equipe, que "não há o mínimo indício de qualquer participação" sua nos atos descritos pelo delator da UTC Engenharia, classificado como um "colaborador sem credibilidade". O ex-prefeito também afirmou "ter confiança" de que o inquérito contra ele não irá prosperar junto ao Poder Judiciário.

Fernando Haddad também disse que as declarações de João Santana e Mônica Moura causam "estranheza", pois a Odebrecht, empreiteira que teria participado dos pagamentos via caixa dois ao petista, teve "suas principais ambições na cidade de São Paulo contrariadas pela administração Haddad". 

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