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Juíza negou pedido da defesa do bicheiro condenado a oito anos, em regime fechado, pelo crime de fraude em licitação na Loterj, em 2001 e 2002

Preso na Operação Saqueador, Carlinhos Cachoeira estava cumprindo prisão domiciliar por determinação do STJ
Arquivo/Fernando Frazão/Agência Brasil
Preso na Operação Saqueador, Carlinhos Cachoeira estava cumprindo prisão domiciliar por determinação do STJ

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro negou o pedido da defesa e determinou nesta terça-feira (8) que o bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, seja preso e transferido para a cidade. Em carta precatória, o órgão pede que o Tribunal de Justiça de Goiás cumpra a prisão e faça a transferência.

Na sexta-feira (4), o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Nefi Cordeiro d eterminou a prisão de Carlinhos Cachoeira , para início de cumprimento de pena de oito anos, em regime fechado, a que ele foi condenado pelo crime de fraude em licitação.

A decisão foi motivada pelo pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para execução imediata da condenação após o fim dos recursos na segunda instância. Atualmente, o bicheiro cumpre prisão domiciliar em razão de outros processos.

De acordo com o Tribunal de Justiça, a prisão vai ser realizada pela Delegacia Estadual de Capturas. A instituição afirmou que ele não será detido nesta terça-feira, devido ao horário.

Fraudes na loteria do Rio

A condenação de oito anos está relacionada com o caso que foi investigado na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos, em 2004, que apurou o uso de casas de bingo para lavagem de dinheiro. Na época, o então assessor da Casa Civil da Presidência da República Waldomiro Diniz foi exonerado do cargo após divulgação de uma fita de vídeo em que aparecia pedindo propina a Cachoeira.

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Na mesma decisão, o ministro negou pedido da PGR para executar a pena de Waldomiro Diniz, também condenado por corrupção e fraude em licitação, mas a 12 anos de prisão.

Diniz foi também acusado de favorecer Cachoeira quando era diretor da Loterj, em 2001 e 2002, e de ter influenciado a renovação de contrato da empresa de tecnologia Gtech com a Caixa Econômica Federal em 2003, quando já trabalhava na Casa Civil.

De acordo com a denúncia do Ministério Público do Rio, Waldomiro Diniz pediu R$ 1,7 milhão ao empresário como propina - o dinheiro também teria sido usado para abastecer campanha eleitoral de políticos. Em troca, acrescenta o MP, Cachoeira obteve a alteração de um edital de licitação para se favorecer.

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Na mira da Lava Jato

Investigado na Operação Saqueador, o empresário é acusado pela força-tarefa da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro de operar um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 370 milhões provenientes de recursos públicos desviados. Atualmente, Carlinhos Cachoeira cumpre prisão domiciliar concedida pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça).

* Com informações da Agência Brasil

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