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Advogado do presidente já admite que, em 2019, haverá “intensa ação persecutória” contra Michel Temer; procuradores devem intensificar cerco a Temer quando ele deixar o cargo e perder o direito ao foro privilegiado

Marcos Corrêa/PR - 2.5.18
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Michel Temer (MDB) deixará o Planalto no fim de dezembro, perdendo assim direito ao foro privilegiado por prerrogativa de cargo. Por isso, as investigações que correm contra ele irão para a Justiça comum, saindo da tutela do Supremo Tribunal Federal (STF).

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Quando isto acontecer, um grupo de procuradores que apura supostos desvios éticos do emedebista já fala em possíveis medidas cautelares contra Temer em 2019. A informação é do jornal Folha de S.Paulo .

Duas denúncias já foram apresentadas contra o presidente, mas foram barradas pela Câmara dos deputados. Uma terceira denúncia, comenta-se em Brasília, estaria sendo preparada pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge.

O próprio advogado de Temer , Claudio Mariz de Oliveira já admite, à Folha , que o cerco ao emedebista se acirrará em janeiro. “Começará uma ativa e intensa ação persecutória, de investigação, do Ministério Público Federal e da Polícia Federal”. O defensor, contudo, disse não acreditar em medidas “extremas” como como condução coercitiva ou prisão.

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Temer pode desistir de eleição

Uma das possibilidades de Temer seguir protegido contra as denúncias contra si seria se reeleger presidente em outubro. O mandatário brasileiro, no entanto, já tem acenado com a possibilidade de desistir do pleito e apoiar Geraldo Alckmin (PSDB) na corrida eleitoral.

“Eu não teria dificuldade, não. Se houver conjugação política nestes termos que estou dizendo. Se houver algo que seja útil para o país, e daí história da união de todos os candidatos de centro, por que não apoiar?”, disse, quando questionado se poderia desistir da disputa para apoiar o tucano Alckmin.

Entre os tucanos, há quem ache que o apoio de Temer ao ex-governador de São Paulo não é um bom negócio. Isso porque eles avaliam que um candidato apoiado pelo emedebista pode sofrer a mesma rejeição da população que sofre o próprio presidente.

Por outro lado, vertentes do partido entendem que o apoio financeiro, o tempo de TV e a estrutura partidária do MDB , que conta com centenas de prefeitos em todos os estados brasileiros, pode ser definitiva na briga pelo 2º turno das eleições.

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