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Presidente do Instituto Lula confirmou em depoimento prestado hoje que o petista pretendia comprar o imóvel como um presente para Dona Marisa

Presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto prestou depoimento a Moro sobre sítio de Atibaia (SP)
Reprodução/JFPR
Presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto prestou depoimento a Moro sobre sítio de Atibaia (SP)

O presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto, disse nesta segunda-feira (7) ao juiz federal Sérgio Moro que o ex-presidente tinha a pretensão de comprar o sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP). O  imóvel é peça-central de ação penal da Operação Lava Jato que apura se as reformas feitas no sítio, no valor de R$ 1 milhão, seriam uma forma de as construtoras OAS e Odebrecht pagarem vantagem indevida ao petista.

Na condição de testemunha de defesa, Okamoto prestou um depoimento de apenas dez minutos de duração, por videoconferência, a partir da sede da Justiça Federal em São Paulo. Ele disse que Lula e sua família têm uma "relação de amizade íntima" com a família de Fernando Bittar, proprietário oficial do sítio de Atibaia, e confirmou que houve um almoço para tratar sobre a possível venda do imóvel

"O presidente Lula, já há algum tempo, achava que precisava comprar um sítio como um presente para a Dona Marisa. Ele tinha essa intenção. Eu sei que o tema que seria tratado nesse almoço era esse", afirmou Okamoto, que disse que não participou do encontro, ocorrido em 2015 na sede do instituto do ex-presidente.

Okamoto também confirmou que parte do acervo do ex-presidente foi levado a Atibaia após o fim de seu mandato. "No finalzinho de 2010, o Gilberto de Carvalho [ex-ministro da Secretaria-Geral] me informou que eu teria que providenciar a retirada do acervo presidencial. E também fiquei informado que uma parte do acervo, principalmente algumas coisas de decoração, algumas peças, seriam levadas para o sítio do Fernando", relatou.

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Processo volta a andar

Além do presidente do Instituto Lula, também foram ouvidas por Moro outras quatro testemunhas nesta manhã. As audiências marcaram a retomada do processo, que ficou paralisado após a defesa do ex-presidente contestar a competência do juiz de Curitiba para julgar essa ação penal. O questionamento se baseava na decisão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) em retirar de Moro parte das delações de executivos da Odebrecht, mas foi rejeitado pelo próprio magistrado de Curitiba e também pelo ministro Dias Toffoli .

Esse processo da Lava Jato tem, além de Lula , outros 12 réus. A lista inclui os empreiteiros Léo Pinheiro (OAS), Emílio Odebrecht e seu filho, Marcelo Bahia Odebrecht, o pecuarista José Carlos Bumlai, o advogado Roberto Teixeira e Fernando Bittar, que é o dono oficial do sítio de Atibaia.

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