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Em entrevista ao SBT, Michel Temer (MDB) admitiu que pode desistir de se candidatar à presidência da República; neste caso, ele e seu partido deverão apoiar o tucano Geraldo Alckmin, ex-governador de São Paulo

Geraldo Alckmin e Michel Temer
Beto Barata/PR - 15.12.18
Geraldo Alckmin e Michel Temer

Michel Temer (MDB) já admite publicamente que pode desistir de se candidatar à presidência da República nas eleições deste ano. Em uma entrevista que vai ao ar à meia-noite deste domingo (6) no SBT, o emedebista afirmou que cogita abandonar sua candidatura e apoiar o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) ou algum outro nome da centro-direita.

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“Eu não teria dificuldade, não. Se houver conjugação política nestes termos que estou dizendo. Se houver algo que seja útil para o país, e daí história da união de todos os candidatos de centro, por que não apoiar?”, disse, quando questionado se poderia desistir da disputa para apoiar o tucano Alckmin.

Temer já expressou diversas vezes a vontade de ver um candidato nas eleições de 2018 defendendo o que chama de “legado de seu governo”. Na falta de políticos dispostos a associar a imagem a uma gestão rejeitada por 70% dos brasileiros, chegou ele próprio a alimentar a possibilidade de se candidatar pelo MDB .

Frente ao seu fraco desempenho em pesquisas eleitorais, o partido cogita também apoiar Henrique Meirelles na disputa pela presidência. O economista, no entanto, também não conseguiu, até agora, cativar o eleitorado.

Entre os tucanos, há quem ache que o apoio de Temer ao ex-governador de São Paulo não é um bom negócio. Isso porque eles avaliam que um candidato apoiado pelo emedebista pode sofrer a mesma rejeição da população que sofre o próprio presidente.

Por outro lado, vertentes do partido entendem que o apoio financeiro, o tempo de TV e a estrutura partidária do MDB, que conta com centenas de prefeitos em todos os estados brasileiros, pode ser definitiva na briga pelo 2º turno das eleições.

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Investigações contra Temer

Michel Temer também foi perguntado sobre o depoimento que sua filha, Maristela Temer, prestou à Polícia Federal na última semana. Ele e sua família são investigados pela Operação Skala, que apura suspeitas de corrupção envolvendo o MDB e empresas privadas que atuam no setor portuário.

Maristela falou, especificamente, sobre obras em sua casa que, segundo as investigações, custaram R$ 1 milhão. O Ministério Público averigua se dinheiro lavado de propinas foi usado para pagar as reformas.

"Ela fez uma pequena reforma e depois, quando resolveu voltar para São Paulo, dois anos depois, fez uma nova reforma. E neste momento realmente ela teve este auxílio. Mas foi uma reforma regularmente paga, regularmente esclarecida. Eu não tenho os dados do depoimento que ela prestou ontem ao delegado da Polícia Federal, mas soube que foi tudo pelas melhores", disse Temer .

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