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Juca Bala e Tony firmaram acordo de delação premiada que deflagrou a operação ‘Câmbio, desligo’, que investiga lavagem de dinheiro e evasão de divisas; eles darão curso ao Ministério Público durante seis anos

Polícia Federal deflagra nova operação que visa desbaratar esquema que moveu mais de um bilhão de dólares
Rovena Rosa/Agência Brasil
Polícia Federal deflagra nova operação que visa desbaratar esquema que moveu mais de um bilhão de dólares

Dois dos operadores financeiros que prestavam serviços ao ex-governador do Rio de Janeiro Sergio Cabral ( MDB ), Vinicius Claret (conhecido como Juca Bala) e Claudio Barbosa (Tony), irão ministrar cursos voltados para o Ministério Público Federal. O tema será a principal especialidade dos dois: lavagem de dinheiro e evasão de divisas . O objetivo do curso é demonstrar aos procuradores como se dão as operações ilegais, facilitando investigações futuras.

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Ao todo, eles terão de prestar este serviço ao Ministério Público durante seis anos, totalizando 1200 horas-aula. As informações são do jornal O Globo .

Juca Bala e Tony são dois dos ‘doleiros’ – como são conhecidos no ramo – que firmaram acordos de delação premiada no âmbito da operação Lava Jato. Embora tenham prestado diversos serviços à Cabral em seus esquemas de corrupção, eles se encontram em liberdade, nos termos do acordo firmado.

Como consequência da delação dos dois, o Ministério Público e a Polícia Federal deflagrou a operação ‘Câmbio, desligo’, cujo foco é justamente a atividade de doleiros tidas como suspeitas. Estima-se que, entre os investigados, foram lavados US$ 1,652 bilhões.

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Complicada operação

De acordo com as primeiras informações dos procuradores, os suspeitos da ‘Câmbio, desligo’ integravam um sistema chamado Bank Drop. Nele, os doleiros remetiam recursos ao exterior por meio de uma ação conhecida pelo mercado como 'dólar-cabo'.

Esse é um método de enviar dinheiro ao exterior sem passar pelas instituições financeiras reguladas pelo Banco Central.

Para a movimentação de US$ 1,6 bilhão (equivalente a R$ 5,6 bilhões), 3 mil empresas offshore foram envolvidas. De acordo com as investigações da PF, elas teriam movimentado tal montante em 52 países. 

Este e outros estratagemas usados em lavagem de dinheiro e evasão de divisas deverão ser abordados no curso que Tony e Bala ministrarão no Ministério Público.

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