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Ex-presidente está detido em Curitiba desde o dia 7; petista se refere à decisão do juiz de continuar conduzindo processo da reforma em Atibaia

Ex-presidente petista enviou uma carta para Gleisi Hoffmann; essa é a segunda carta enviada por Lula desde que foi preso
Reprodução/Facebook
Ex-presidente petista enviou uma carta para Gleisi Hoffmann; essa é a segunda carta enviada por Lula desde que foi preso

"Que país é esse em que uma instância inferior desacata a superior?". Isso é o que se pergunta o ex-presidente petista Luiz Inácio Lula da Silva em sua nova carta, destinada à presidente nacional do PT, a senadora Gleisi Hoffmann.

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Nessa declaração, Lula se refere à decisão do juiz federal Sérgio Moro de continuar conduzindo o processo contra o ex-presidente petista – da reforma do sítio de Atibaia (SP) – mesmo após decisão do Supremo tribunal Federal (STF) que retirou trechos da delação da Odebrecht da competência do magistrado. 

Na correspondência, Lula afirma que está "perplexo ao saber que [o juiz Sergio] Moro e o Ministério Público não vão cumprir a determinação do STF".

"Fiquei perplexo ao saber que o Moro e o Ministério Público não vão cumprir a determinação do STF. Que país é esse em que uma instância inferior desacata a superior, em que um juiz de primeira instância desacata os ministros da Suprema Corte?", escreveu Lula.

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A declaração do presidente, que está detido desde o último dia 7 na sede da Polícia Federal, em Curitiba, foi revelada no último sábado (28) pelo jornal Folha de São Paulo

Decisão do STF

Dois dias antes da decisão pública de Moro, em continuar as investigações, a 2ª Turma do STF havia determinado a retirada das delações premiadas dos executivos da empreiteira Odebrecht referentes ao imóvel.

Moro defendeu que o processo possui mais provas além das delações dos executivos da Odebrecht. "Oportuno lembrar que a presente investigação penal iniciou-se muito antes da disponibilização a este Juízo dos termos de depoimentos dos executivos da Odebrecht em acordos de colaboração, que ela tem por base outras provas além dos referidos depoimentos, apenas posteriormente incorporados, e envolve também outros fatos, como as reformas no mesmo sítio supostamente custeadas pelo Grupo OAS e por José Carlos Costa Marques Bumlai", destacou Moro, no despacho.

Primeira carta

Essa já é a segunda carta de Lula, após sua prisão. Na primeira carta, divulgada no dia 17 de abril, o ex-presidente revelou ainda "acreditar na Justiça", além de ter criticado o Ministério Público Federal e a Operação Lava Jato .

O ex-presidente petista foi condenado a 12 anos e um mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, após ser julgado por receber um tríplex no Guarujá (SP) como propina para beneficiar a empreiteira OAS em contratos da Petrobras.

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* Com informações da Agência Ansa.

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