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Deputado tem 86 anos de idade e foi condenado a 7 anos e nove meses de prisão por lavagem de dinheiro durante a gestão como prefeito de São Paulo

Paulo Maluf recebeu alta de hospital neste domingo; ele foi para casa, onde cumpre prisão domiciliar
Reprodução/TV Globo
Paulo Maluf recebeu alta de hospital neste domingo; ele foi para casa, onde cumpre prisão domiciliar

O deputado afastado Paulo Maluf (PP-SP) teve alta médica e deixou, na manhã deste domingo (29), o Hospital Sírio-Libanês, onde ficou internado por mais 20 dias na capital paulista. A informação foi confirmada pela própria assessoria do hospital.

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Aos 86 anos, Paulo Maluf  foi internado no último dia 6, após tratamento de pneumonia, atrofia e câncer de próstata. Ao deixar o hospital, o ex-prefeito de São Paulo volta para casa, onde terá que cumprir prisão domiciliar, após ser condenado por lavagem de dinheiro. Segundo a assessoria de imprensa do hospital, o deputado deixou o local perto das 9h. 

Habeas corpus

Há dez dias, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin decidiu conceder um habeas corpus de ofício para que o deputado afastado cumpra prisão domiciliar. Condenado a 7 anos e 9 meses de prisão, o parlamentar já estava fora do sistema prisional por conta de uma decisão liminar do ministro Dias Toffoli. A diferença entre as decisões dos ministros é que a de Fachin tem caráter definitivo e foi feita por iniciativa própria do magistrado.

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Os ministros do STF até chegaram a iniciar a discussão sobre o habeas corpus pedido pela defesa de Paulo Maluf . Mas Fachin interrompeu o julgamento para anunciar que, na qualidade de relator do processo que culminou na condenação do ex-prefeito de São Paulo, ele iria conceder monocraticamente o benefício da prisão domiciliar ao deputado em razão de suas condições de saúde.

Condenação

Maluf foi condenado por recebimento de propina em contratos públicos com as empreiteiras Mendes Júnior e OAS nos tempos em que ainda era prefeito de São Paulo , entre 1993 e 1996. Os recursos, apontam as investigações, foram desviados da construção da Avenida Água Espraiada, hoje chamada Avenida Roberto Marinho. A obra custou, ao todo, cerca de R$ 800 milhões.

As investigações se extenderam há mais de dez anos, desde a instauração do primeiro inquérito contra o ex-prefeito, ainda na primeira instância da Justiça. Os procuradores do Ministério Público estimaram em US$ 170 milhões a movimentação total de recursos ilícitos por parte do então prefeito. Após a eleição de Paulo Maluf como deputado federal, as investigações foram para o Supremo Tribunal Federal.

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