Tamanho do texto

Marcela seria uma das proprietárias das casas; apuração é desdobramento das conexões entre o presidente Temer e o coronel João Baptista Lima Filho

Advogado José Yunes vendeu uma casa a Marcela, esposa de Michel Temer, em 2010, no Alto de Pinheiros, em São Paulo
Reprodução/Facebook
Advogado José Yunes vendeu uma casa a Marcela, esposa de Michel Temer, em 2010, no Alto de Pinheiros, em São Paulo

Uma investigação da Polícia Federal (PF), que ainda está em curso, sugeriu que o presidente Michel Temer (MDB) lavou dinheiro de propina no pagamento de reformas em imóveis da sua própria família. A denúncia foi classificada pelo presidente como "revoltante", "um disparate".

Leia também: Planalto confirma que Marcela Temer comprou uma casa de José Yunes em 2010

A informação foi publicada nesta sexta-feira (27) pelo jornal Folha de S. Paulo, que afirma ainda que, além da lavagem em obras, Michel Temer teria ocultado transações imobiliárias em nome de terceiros.

De acordo com a publicação, a esposa de Temer, Marcela, e o filho do casal presidencial são donos de alguns desses imóveis reformados com a ajuda de propina. "Só um irresponsável mal-intencionado ousaria tentar me incriminar e incriminar minha esposa, meu filho, que tem nove anos de idade, como lavadores de dinheiro", disse o presidente da República. 

"Ataque de natureza moral"

As declarações de Temer foram feitas na manhã desta sexta, em um pronunciamento oficial em resposta às informações constantes na reportagem.

Ele aproveitou a oportunidade para esclarecer que defende a liberdade de imprensa e que entende que tais dados, quando chegam às redações, são publicados. Porém, criticou o vazamento dessas informações, que seriam provindas, segundo ele, de um "ataque de natureza moral".

Leia também: PGR denuncia deputado Arthur Lira por lavagem de dinheiro

"O ataque é de natureza moral, de pessoas que eu não sei se têm moral para fazê-lo", disse Temer. "Vou sugerir ao ministro [Raul] Jungmann que apure internamente como se dão esses vazamentos irresponsáveis", disse. "Não é a imprensa que vai lá para exigir os autos, os dados são fornecidos, são vazados", denunciou.

"Qualquer contador, qualquer professor de matemática, qualquer pessoa de bem consegue concluir que, ao longo do tempo, eu obtive recursos suficientes para comprar os imóveis que comprei e reformar os imóveis que reformei", enfatizou o presidente. "Dizer que lavei dinheiro numa casa alugada, que gastei R$ 2 milhões... Em que mundo estamos? É incrível. É revoltante. É um disparate", concluiu. 

Investigações

Tal suspeita da PF surge após seis meses da abertura de um inquérito sobre a edição de um decreto para o setor portuário, a qual beneficiou empresas do setor em troca de propina. 

A investigação é um desdobramento das conexões entre Temer e o coronel João Baptista de Lima Filho, que teria transferido cerca de R$ 2 milhões de propina em 2014 ao presidente.

Neste mesmo ano, a investigação aponta que algumas reformas foram feitas em propriedades da filha de Temer, Maristela, e da sogra, Norma Tedeschi. Segundo as autoridades, a quantia destinada às obras é originária da JBS e da empresa Engevix.

Em delação, executivos da JBS explicaram que, por intermédio do coronel, foi repassado R$ 1 milhão para o presidente.

Leia também: Temer defende "liberdades individuais" em crítica indireta a prisões de amigos

Além da declaração do presidente, o advogado do emedebista, Brian Alves Prado, nega qualquer irregularidade, afirmando que os "valores transacionados a partir de doações, aquisições de imóveis ou investimentos são absolutamente compatíveis" com os rendimentos declarados por Michel Temer à Receita Federal.

* Com informações da Agência Ansa.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.