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Vereadora do Rio de Janeiro e seu motorista foram mortos a tiros, na noite do dia 14 de março; entidade alertou para o perigo da impunidade do caso

Quinta vereadora mais votada no Rio, Marielle Franco denunciava violência policial e morreu aos 38 anos de idade
Reprodução/Youtube
Quinta vereadora mais votada no Rio, Marielle Franco denunciava violência policial e morreu aos 38 anos de idade

A Anistia Internacional (AI) afirmou nesta sexta-feira (13) que as autoridades brasileiras precisam dar "prioridade" para solucionar o assassinato da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista Anderson Gomes. A  morte dos dois completa um mês neste sábado (14).

Para a diretora-executiva da AI no Brasil, Jurema Werneck, a socieda tem que saber quem matou Marielle Franco e quais foram os motivos do crime. "Cada dia que este caso segue sem ser resolvido se agravam o risco e a incerteza em torno dos defensores e defensoras dos direitos humanos", afirmou.

"As autoridades devem expressar claramente que isto não vai mais acontecer e rapidamente investigar quem matou Marielle e quem ordenou sua morte", acrescentou.

A Anistia Internacional ressalta ainda que se os responsáveis pelos assassinatos de Marielle e Anderson não forem encontrados, as autoridades vão "transmitir a mensagem de que se pode matar com impunidade" as pessoas que defendem os direitos humanos. Werneck também afirmou que o ataque foi "cuidadosamente planejado" e executado por "pessoas treinadas".

A AI revelou que o Brasil é um dos países mais perigosos para as pessoas defensoras dos direitos humanos, tendo registrado 58 homicídios em 2017. O Brasil também lidera o ranking de assassinatos contra ativistas ambientais, sendo um levantamento da ONG Global Witness.

Investigação

Marielle e Anderson foram mortos a tiros, na noite do dia 14 de março, no bairro do Estácio, após deixarem a Lapa, onde ela participou de seu último ato político. As investigações seguem em sigilo.

Investigadores da Polícia Civil e da Polícia Federal acreditam que “há DNA de um grupo paramilitar” no assassinato da vereadora. Isso porque, entre outros indícios, ao menos uma das munições que vitimou os dois era parte de um lote especial e coincide com projéteis usados em dois outros crimes perpetrados pelas milícias.

Das nove cápsulas encontradas no local do crime, oito são de um carregamento vendido pela Companhia Brasileira de Cartuchos à Polícia Federal em Brasília. Munições do tipo foram remetidas a vários estados e, acredita-se, parte do lote foi roubado e chegou à mão de criminosos.

Uma única munição, contudo, é importada e tem características especiais. O que chamou a atenção dos investigadores foi que, dos 14.574 homicídios que aconteceram no estado desde 2015, em apenas três crimes, que vitimaram cinco vítimas, uma munição semelhante foi encontrada.

Estes assassinatos aconteceram em São Gonçalo, no interior do Rio, em Itaupu, na região da cidade de Niterói, e na Estância de Pendotiba, próximo à capital fluminense.

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Para os investigadores da morte de Marielle Franco , os casos têm semelhanças. Todos contavam com munições destinadas às Forças Armadas e à PF, e os assassinatos seguiram um mesmo padrão. Na avaliação da Polícia, há fortes indícios de que todos os crimes foram levados a cabo por milicianos – forças paramilitares, formadas em parte por policiais e ex-policiais, que atuam no estado.

* Com informações da Ansa