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Ricardo Stuckert/Instituto Lula - 22.3.18
Luiz Inácio Lula da Silva teve prisão ordenada pelo juiz Moro após STF negar habeas corpus

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a discutir junto aos seus advogados os detalhes para a execução de sua prisão pela Polícia Federal após ter pedido de habeas corpus rejeitado pelo ministro Félix Fischer , relator da Lava Jato no Superior Tribunal de Justiça (STJ).  Um  novo recurso já foi protocolado junto ao Supremo Tribunal Federal (STF). O trâmite para a rendição do ex-presidente é orquestrado pela equipe da PF em São Paulo. A corporação decidiu que não há mais condições de executar a ordem de prisão nesta sexta-feira (6).

Segundo a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), Lula  seguirá no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, onde ele está desde essa quinta-feira (5). Será realizado no local uma missa em homenagem à ex-esposa do petista, Dona Marisa Letícia, às 9h30 da manhã deste sábado (7). O ex-presidente deve ser preso somente após o evento, mas ainda é incerto se ele se entregará à Polícia Federal ou se aguardará os agentes irem buscá-lo na sede do sindicato.

O prazo dado pelo juiz federal Sérgio Moro  para o ex-presidente se entregar voluntariamente se esgotou às 17h desta sexta-feira. No entanto, desde que o despacho do juiz de Curitiba foi publicado, no fim da tarde dessa quinta-feira, lideranças do PT vinham aconselhando Lula a não se entregar.

Lula não discursa e apenas acena a militantes da janela de sindicato:


Em entrevista à Globonews , o delegado Luis Antônio de Araújo, presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais, disse que a prisão do ex-presidente não se dará imediatamente só porque o prazo dado pelo juiz Moro se exauriu. A Justiça Federal no Paraná também informou que Lula não é considerado foragido. "A ordem foi publicada e tem que ser cumprida. A Polícia Federal vai tratar de cumprir da melhor forma, mas vai depender desse ajuste com a defesa", afirmou o delegado Araújo.

Condenado a 12 anos e 1 mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex no Guarujá (SP), Lula passou a noite na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Do lado de fora do prédio, apoiadores e integrantes de movimentos sociais fizeram uma vigília contra a prisão do líder petista.  

"Moro deu a opção de Lula ir a Curitiba, mas ele escolheu ficar em um endereço público. Resolveu ficar no lugar símbolo de resistência e luta dos trabalhadores e trabalhadoras", bradou Gleisi Hoffmann aos militantes. "Não espere que a gente caminhe para o brete de cabeça baixa, como em um matadouro. É aqui que estamos e ficaremos para mostrar ao Brasil a nossa luta", completou. 

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Ricardo Stuckert - 6.4.18
Lula acenou para apoiadores da janela do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

Leia também: O que acontece se Lula não se entregar à PF? Ele pode deixar o País? Entenda

A defesa do ex-presidente se movimentou em duas frentes para evitar o cumprimento da ordem de prisão do juiz Moro. Os advogados de Lula foram ao Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas, em Genebra, para pedir uma liminar para que o governo brasileiro impeça a prisão do ex-presidente até o exaurimento de todos os recursos jurídicos disponíveis.

Em outra frente, a defesa apresentou também um pedido de habeas corpus junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), alegando que a ordem de prisão é ilegal, uma vez que o caso do petista ainda não foi encerrado junto ao Tribunal Regional Federal da Quarta Região (TRF-4). O pedido, no entanto, foi rejeitado pelo ministro Félix Fischer, relator da Lava Jato no STJ .

A decisão do juiz Moro, no entanto, se amparou em ofício enviado pelo presidente do TRF-4, desembargador Leandro Paulsen, afirmando que já houve o "exaurimento da jurisprudência" da ação do caso tríplex naquela Corte. A defesa de Lula, por outro lado, diz que ainda poderão ser apresentados embargos de declaração sobre os embargos de declaração já rejeitados.

Além dos pedidos apresentados pela defesa de Lula, ao menos três recursos em habeas corpus contra a prisão do ex-presidente foram protocolados no Supremo Tribunal Federal (STF) por pessoas não relacionadas ao petista. 

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Adonis Guerra/SMABC - 6.4.18
Manifestantes fizeram vigília contra prisão a prisão de Lula em frente a sindicato em São Bernardo do Campo (SP)


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