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Juiz Bretas aceitou denúncia contra o ex-governador por corrupção e lavagem em esquema com a Fecomércio-RJ; emedebista também se tornou réu em primeira ação na Justiça estadual por irregularidade em presídio

Ex-governador Sérgio Cabral já foi condenado cinco vezes na Lava Jato e suas penas somam 100 anos de prisão
Fabio Rodrigues Pozzebo/Agência Brasil
Ex-governador Sérgio Cabral já foi condenado cinco vezes na Lava Jato e suas penas somam 100 anos de prisão

O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (MDB) se tornou réu pela 22ª vez no âmbito das investigações da Operação Lava Jato. Já condenado a 100 anos de prisão , o emedebista desta vez é acusado de ter praticado crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro em esquema envolvendo a Fecomércio-RJ (Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro) que desviou ao menos R$ 10 milhões dos cofres públicos.

Além de Sérgio Cabral , também se tornaram réus por decisão do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do Rio, outras 11 pessoas, entre elas o ex-presidente da Fecomércio Orlando Diniz.

De acordo com os procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro, "há indícios" de que Diniz desviava recursos federais do orçamento do Sesc e do Senac. Além disso, a pedido de Cabral, Diniz teria contratado diversos funcionários fantasmas num esquema que movimentou quase R$ 6 milhões. Esses servidores, segundo o Ministério Público Federal (MPF), prestavam serviços no interesse particular do ex-governador.

“Os elementos colhidos já apontam para a conclusão de que Sérgio Cabral, no exercício do seu mandato como governador ou a pretexto de exercê-lo, solicitou e aceitou vantagens indevidas para si e para outrem, para exercer o seu cargo com especial atenção para os interesses privados do presidente da Fecomércio. Orlando Diniz, por sua vez, ofereceu vantagens indevidas para determinar o referido agente público à prática de atos de ofício, legítimos ou não”, diz a denúncia.

'Cinema' no presídio de Benfica

O ex-governador do Rio de Janeiro também se tornou réu nesta quinta-feira (5) em sua primeira ação penal na Justiça Estadual. O processo se refere à criação de um 'cinema' privado no presídio de Benfica, na zona norte do Rio, onde Cabral permaneceu preso até ser transferido para o Paraná no início deste ano .

De acordo com o Ministério Público fluminense, Sérgio Cabral cometeu crimes de falsidade ideológica e falsidade material ao supostamente forjar a doação dos equipamentos que iriam compor o 'cinema' dotado de equipamento de home theater e um acervo de DVDs. À época da descoberta do espaço no presídio de Benfica, a Secretaria da Administração Penitenciária (Seap) informou que os aparelhos foram doados por uma igreja evangélica devidamente cadastrada e se destinaria a “ressocialização” dos detentos. Pouco depois, no entanto, o pastor da referida igreja afirmou que não havia doado equipamento algum.

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