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Em despacho, Sérgio Moro afirmou que "em razão da dignidade do cargo ocupado", petista deve ficar em sala reservada na Superintendência da PF

Juiz Sérgio Moro condenou ex-presidente Lula por crimes de corrupção e lavagem no caso tríplex da Lava Jato
Divulgação/Instituto Lula
Juiz Sérgio Moro condenou ex-presidente Lula por crimes de corrupção e lavagem no caso tríplex da Lava Jato

A Superintendência da Polícia Federal do Paraná, em Curitiba, preparou, nos últimos meses, uma sala especialmente para receber o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Um cômodo no quarto andar do alojamento para policiais de outras cidades, em missão na capital paranaense, foi transformado nos últimos dois meses em uma 'cela especial' para receber o petista.

No despacho desta quinta-feira (5) , o juiz federal Sérgio Moro ressaltou que “em razão da dignidade do cargo ocupado, foi previamente preparada uma sala reservada, espécie de Sala de Estado Maior, na própria Superintência da Polícia Federal, para o início do cumprimento da pena, e na qual o ex-Presidente [ Lula ] ficará separado dos demais presos, sem qualquer risco para a integridade moral ou física”.

Segundo as informações do jornal O Estado de S. Paulo , o dormitório na superintendência fica isolado da Custódia no segundo andar do prédio, onde os demais presos da Lava Jato estão.  O alojamento, que era usado para federais em passagem por Curitiba, tem cerca de três metros por cinco metros, banheiro próprio, com pia, privada e chuveiro quente, janelas pequenas de vidro, com grades de segurança doméstica.

Desde a condenação do ex-presidente no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), as beliches foram removidas e a mesa também. Sobrou uma cama e o colhão. As janelas dão acesso ao terraço do edifício, de onde se chega ao heliponto, mas estão isoladas.

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Prisão

O juiz Sérgio Moro ordenou, na última quinta-feira (5), a prisão do ex-presidente e deu-lhe um prazo até as 17h da sexta-feira (6) para o petista se entregar. O que só aconteceu nesse sábado (7), por volta das 18h50. 

O despacho do juiz da Lava Jato foi proferido menos de 24 horas após o Supremo Tribunal Federal (STF) abrir caminho para a prisão do petista ao rejeitar o habeas corpus de sua defesa.

Responsável por condenar, na primeira instância, o ex-presidente por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex no Guarujá (SP), Moro justificou a concessão de prazo para o petista se entregar voluntariamente alegando a "dignidade do cargo" que o petista ocupou. O juiz de Curitiba também proibiu que sejam utilizadas algemas no ex-presidente.

Desde o dia do julgamento do seu pedido de habeas corpus no STF, Lula passou as horas no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Ele só deixou o local após uma missa em homenagem à ex-primeira-dama Marisa Letícia (que faria aniversário hoje), um discurso fervoroso e um ultimato da Polícia Federal. Parte dos militantes que o acompanhavam no sindicato chegaram a atrasar a sua entrega à PF.

Recursos

A maioria dos ministros do STF decidiu na última quarta-feira (4) que o juiz Sérgio Moro poderia ordernar a prisão imediata do ex-presidente tão logo seu processo fosse encerrado no Tribunal Regional Federal da Quarta Região (TRF-4). Os advogados do ex-presidente passaram então a defender o entendimento de que a tramitação dessa ação penal ainda não se exauriu, uma vez que ainda serão apresentados embargos de declaração sobre os embargos de declaração já rejeitados pelo TRF-4.

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Em seu despacho, o juiz Moro considerou que não caberia aguardar o julgamento desse tipo de recurso da defesa de Lula pois, em seu entendimento, esses novos embargos "constituem apenas uma patologia protelatória".

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