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Em sua conta no Twitter, o general Villas Bôas defende "respeito à Constituição, à paz social e à Democracia"; ministro interino da Defesa diz que declarações não significam força; políticos se pronunciam sobre assunto

General Villas Bôas, comandante do Exército Brasileiro, durante sessão solene na Câmara dos Deputados
Antonio Cruz/Agência Brasil - 8.9.15
General Villas Bôas, comandante do Exército Brasileiro, durante sessão solene na Câmara dos Deputados

O comandante do Exército Brasileiro, general Eduardo Villas Bôas, fez um comentário em em sua conta no Twitter em que manifestava “repúdio à impunidade”. Apesar de não citar o julgamento do habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Supremo Tribunal Federal (STF), o comentário foi feito na terça-feira (3), às vésperas da decisão, que deverá ser tomada na tarde desta quarta-feira (4) .

Villas Bôas escreveu que o Exército também defende o “respeito à Constituição, à paz social e à Democracia”, e que a instituição “se mantém atenta às suas missões institucionais”.

Além disso, o general afirmou que, “nessa situação que vive o Brasil”, é necessário se perguntar quem “está pensando no bem do país” e quem “está preocupado apenas com interesses pessoais”.


As declarações causaram bastante repercussão entre políticos e membros do governo. Villas Bôas escreve como se essa fosse a opinião que o Exército compartilha e não somente a do general.

Porém, de acordo com o ministro interino da Defesa, o general Joaquim Silva e Luna, as publicações do comandante do Exército foram no sentido contrário ao uso da força e que a população “pode ficar tranquila” em relação ao teor do que foi dito. As informações são do jornal O Globo .

"O general Villas Boas tem mostrado coerência, é uma marca de sua gestão. Ele tem preocupação com preceitos constitucionais. E valoriza nossas bases, que são os anseios do povo, o legado em termos de valores para as gerações futuras. A mensagem é que a população pode ficar tranquila, pois as instituições estão aqui. Não é uma mensagem de uso da força. É o contrário", afirmou o ministro.

Ainda questionado pelo jornal sobre se há reprovação sobre o comportamento de Villas Bôas dentro do governo de Michel Temer, Luna disse que não.

Repercussão

A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann comentou sobre as mensagens publicadas pelo general em sua própria conta da mesma rede social. “Assim como afirma o general Villas Boas, nós do PT defendemos o combate à impunidade e o respeito à Constituição, inclusive no que diz respeito ao papel das Forças Armadas. E o respeito à Constituição implica na garantia da presunção de inocência", escreveu ela.


O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot também deu seu parecer. “Isso definitivamente não é bom. Se for o que parece, outro 1964 será inaceitável. Mas não acredito nisso realmente”, afirmou Janot.


O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), também escreveu que não cabe ao comandante do Exército interpretar a Constituição e nem dizer o que é impunidade.

"No Estado de Direito, cada um tem o seu papel institucional: ao comandante do Exército não cabe interpretar a Constituição nem dizer o que é impunidade. Para isso existem os 3 Poderes, especialmente o Supremo Tribunal Federal", publicou em seu Twitter.

Já o juiz Marcelo Bretas, responsável pelo julgamento dos casos da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro, se mostrou solidário ao "repúdio à impunidade" e ao "respeito à Constituição" mencionados por Villas Bôas, mas que não se proncia sobre insinuações.


"Reafirmo meu respeito pelo Exército Brasileiro e pelas demais FFAA, além de que compartilho dos valores enunciados na mensagem referida (repúdio à impunidade, respeito à Constituição, à paz social e à Democracia). Contudo, não me pronuncio sobre as insinuações que dela derivaram", afirmou o juiz no Twitter.


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