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Gonçalo Torrealba, sócio do Grupo Libra, estava nos EUA quando teve prisão decretada; Barroso quer ouvir PGR sobre necessidade de prendê-lo agora

Grupo Libra opera no Porto de Santos e é suspeito de ter participado de esquema para ser beneficiado
Divulgação/Grupo Libra
Grupo Libra opera no Porto de Santos e é suspeito de ter participado de esquema para ser beneficiado

O empresário Gonçalo Borges Torrealba, sócio do Grupo Libra, desembarcou na manhã desta segunda-feira (2) no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, e foi encaminhado para prestar depoimento à Polícia Federal. Ele foi um dos alvos da Operação Skala, deflagrada na semana passada e que levou amigos do presidente Michel Temer à prisão.

Torrealba teve a prisão temporária decretada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso, relator do inquérito que investiga suposto esquema envolvendo o Decreto dos Portos, mas estava nos Estados Unidos quando a Operação Skala foi deflagrada. Celina Torrealba, uma das donas do Grupo Libra, foi presa na ocasião –  mas já deixou a cadeia – e a sede da empresa, no Rio, foi alvo de mandado de busca e apreensão.

De acordo com a Polícia Federal, o empresário será interrogado na sede da corporação no Rio de Janeiro. Barroso deve inquirir a Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a necessidade de manter Torrealba preso após a tomada de seu depoimento. A informação é da TV Globo .

Durante o feriado de Páscoa, a  PGR pediu a revogação das prisões temporárias dos investigados nesse inquérito, alegando que as medidas "cumpriram o objetivo legal" uma vez que os alvos das prisões já foram ouvidos pelos investigadores.

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, também citou no pedido encaminhado a Barroso que Torrealba e outros dois sócios do Grupo Libra que estavam no exterior se mostraram "dispostos a se apresentarem à autoridade policial tão logo retornem” ao Brasil.

O Grupo Libra

O Grupo Libra opera no porto de Santos (SP) e foi beneficiado por alteração realizada no texto de medida provisória que estipulava as regras para a renovações de concessões do setor portuário. De acordo com delação do lobista Lúcio Funaro, as mudanças que beneficiaram o Grupo Libra foram feitas 'sob medida' pois a empresa era aliada do então deputado Eduardo Cunha (MDB) e doadora de campanhas de Michel Temer.

Em nota, o Grupo Libra alega que "jamais atuou ilegalmente para mudança da legislação, com vistas a seu benefício exclusivo". A empresa não se manifestou a respeito da tomada do depoimento de Gonçalo Borges Torrealba no âmbito da Operação Skala .

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