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Ministro do STF afirmou que há uma renovação constante dos acordos de corrupção firmado entre empresários, políticos e a burocracia estatal do País

Ministro do STF Luís Roberto Barroso ressaltou que vê uma reação à onda corrupta que vive o país
Nelson Jr./SCO/STF - 1.8.17
Ministro do STF Luís Roberto Barroso ressaltou que vê uma reação à onda corrupta que vive o país

O ministro Luis Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta segunda-feira (2) que o país celebrou um “pacto oligárquico de saque ao Estado”, firmado entre empresários, políticos e a burocracia estatal, com renovação constante dos acordos de corrupção.

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Durante sua participação no Fórum Internacional A Segurança Humana na América Latina, na capital paulista, Barroso disse que a corrupção sistêmica sempre foi o modo de fazer política no Brasil. “O Brasil se deu conta de que vivenciávamos uma corrupção sistêmica, endêmica, que não era produto de falhas pessoais, era um modo de conduzir o país”, afirmou o ministro.

No entender do ministro, o processo gerou perda da confiança, de maneira geral, entre os brasileiros. “O custo moral de tudo isso foi a criação da cultura de desonestidade. Precisamos romper com esse ciclo da cultura de desonestidade”, afirmou.

O magistrado evitou comentar o Inquérito dos Portos, do qual é relator no STF , e a recente prisão temporária, e posterior soltura, de dez investigados na Operação Skala , deflagrada na quinta-feira (29) pela Polícia Federal.

Segurança humana

Ao falar sobre o tema da segurança humana, o ministro ressaltou que a universalização do ensino para crianças de até três anos é a meta mais importante para alcançar esse objetivo no País. “Não acho que um país se constrói apenas com punitivismo e combate à corrupção, mas com agenda social. Não apenas slogans.”

Já o juiz Eugenio Raúl Zaffaroni, da Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), citou os altos índices de mortes violentas e as condições precárias dos presídios, onde se evidenciam grandes injustiças. “Nas cadeias, 14% dos presos são por crimes contra a vida, 3% por crimes sexuais e o restante, por crimes contra a propriedade e vinculados a drogas”, disse Zaffaroni.

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O ministro do STF também ressaltou que vê uma reação à onda corrupta que vive o país. “Nós estamos fazendo um esforço no Brasil para tomá-lo das mãos das elites extrativistas e devolvê-lo à sociedade para que as pessoas se sintam livres, iguais, participantes, e possam confiar umas nas outras”. Barroso ainda disse que a corrupção ‘atrasa o processo de distribuição de renda’, ‘prejudica a qualidade dos serviços públicos’ e ‘faz a vida ser pior’.

* Com informações da Agência Brasil