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Mesmo sem experiência, Mikael ainda deve manter o cargo de Coordenação de Documentação e Informação da pasta e receber salário de R$ 5,1 mil

Mikael Tavares Medeiros trabalha como gestor financeiro de Recursos Logísticos no Ministério do Trabalho
Divulgação/Ministério do Trabalho
Mikael Tavares Medeiros trabalha como gestor financeiro de Recursos Logísticos no Ministério do Trabalho

O jovem de 19 anos Mikael Tavares Medeiros será afastado pelo Ministério do Trabalho da função de gestor de pagamentos de contratos que somam R$ 473 milhões anuais . Segundo as informações do jornal O Globo , o secretário-executivo do ministério Leonardo Arantes já assinou a portaria que deve afastar o jovem.

Indicado pelo PTB, Mikael ainda deve manter o cargo de Coordenação de Documentação e Informação do Ministério do Trabalho e receber o salário de R$ 5,1 mil brutos. Sem experiência na área, nem graduação completa, a responsabilidade do jovem de trabalhar com a liberação de dinheiro público para os contratos assinados pela pasta foi revelada na última quinta-feira pelo O Globo .

Histórico

Mikael é filho do delegado da Polícia Civil de Goiás Cristiomario de Souza Medeiros, que preside o PTB em uma cidade próxima a Brasília. O Delegado Cristiomario, como se apresenta aos eleitores de Planaltina de Goiás e região, é aliado do deputado Jovair Arantes (GO), líder do partido na Câmara.

A trajetória do estudante – que entrou na faculdade recentemente – na pasta começou em outubro do ano passado, quando foi nomeado coordenador de documentação e informação pelo então ministro Ronaldo Nogueira, do PTB.

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A nomeação dele para o cargo de gestor financeiro do ministério foi assinada dois meses depois, em dezembro, pelo então secretário-executivo da pasta, Helton Yomura – hoje, ministro interino do Trabalho.

De acordo com a reportagem, o jovem tornou-se apadrinhado do presidente nacional do PTB, o ex-deputado federal e condenado no Mensalão Roberto Jefferson, desde que a nomeação da deputada federal carioca Cristiane Brasil, filha de Jefferson, foi interrompida. No Twitter, porém, Roberto Jefferson afirmou que desconhece o adolescente. 

Mesmo com o suposto apadrinhamento, a indicação de Mikael para o cargo teria tido a participação de seu pai, diz o jornal.

Ainda de acordo com o  O Globo , a mãe do rapaz não vive com o pai dele, é diarista, beneficiária do Bolsa Família e tem outros três filhos. Segundo ela, o adolescente não mora com a família há meses e nem ajuda nas despesas da casa – o que lhe garante o direito ao recebimento do benefício. 

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Nos últimos meses, segundo a reportagem, sua vida passou por mudanças rápidas. Afinal, em abril de 2017, foi levado à Justiça por policiais militares por porte de 13,6 gramas de maconha. No episódio, ele tinha 18 anos de idade e informou estar desempregado. O emprego como vendedor de óculo foi o único de Mikael antes do Ministério do Trabalho.