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Secretário executivo assume como ministro interino até a nomeação do titular; Marcos Pereira pediu demissão na quarta (3) por "motivos pessoais"

O ex-ministro Marcos Pereira é presidente licenciado do PRB, e pode tentar disputar algum cargo nas eleições de 2018
Reprodução/Twitter Marcos Pereira
O ex-ministro Marcos Pereira é presidente licenciado do PRB, e pode tentar disputar algum cargo nas eleições de 2018

A exoneração de Marcos Pereira do cargo de ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) nesta sexta-feira (5) , dois dias depois de ele pedir demissão do governo de Michel Temer.

Pereira enviou a carta solicitando o desligamento do cargo de ministro no dia 3 de janeiro, com a justificativa de que “precisa se dedicar a questões pessoais e partidárias”. Em uma publicação nas redes sociais, ele mostra o documento em que anunciou sua decisão.

Marcos Pereira é presidente licenciado do PRB, e pode tentar disputar algum cargo nas eleições de 2018. O Planalto ainda não apontou um nome para substituí-lo na pasta e, portanto, o secretário executivo Marcos Jorge Lima irá assumir como ministro interino até que Temer decida o novo titular, informação que foi confirmada pelo MDIC .

Balanço no ministério

Em uma carta de três páginas, Pereira fez um “balanço” das ações realizadas durante sua gestão na pasta, iniciada em maio de 2016. Segundo ele, quando assumiu o ministério da Indústria “havia um cenário falido, despedaçado, com índices econômicos negativos e sem perspectivas de melhora de vida”, e que o governo, portanto, “enfrentou desafios e o País encontrou seu curso novamente”.

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Ainda no mesmo documento, ele finaliza o texto dizendo que “espera ter honrado o setor produtivo brasileiro e seu partido, o PRB , e agradece a confiança do presidente Temer”. Na sua conta no Twitter, também agradeceu os servidores e secretários do ministério pelo trabalho realizado nos últimos 21 meses.

Marcos Pereira assumiu a pasta em maio de 2016. Em agosto do mesmo ano, ele ameaçou deixar o governo caso as reformas previstas pelo governo não fosse enviadas ao Congresso. Dentro da reforma trabalhista, por exemplo, Pereira defendeu a terceirização, o trabalho intermitente e que o acordado prevaleça sobre o legislado. Na época, ele também afirmou que era preciso rever a isenção de tributação sobre importações abaixo de US$ 50,00.

Envolvimento com a JBS

Em outubro do ano passado, um áudio de uma conversa entre o empresário Joesley Batista e Marcos Pereira gravou os dois trocando informações bancárias e sobre valores. Segundo a revista Veja, na gravação Joesley negocia um pagamento de R$ 6 milhões a Pereira.

O áudio foi entregue pelo empresário ao Ministério Público Federal (MPF), como parte de sua delação premiada. Na época da divulgação do caso, Pereira informou que comentaria o assunto somente em juízo.

Segundo a reportagem, o áudio, que foi gravado por Joesley sem que Pereira soubesse, mostra os dois somando valores de repasses. À Procuradoria-Geral da República (PGR), o empresário disse que a quantia seria uma propina, em função da influência de Pereira, que é presidente licenciado do PRB, sobre negócios na Caixa Econômica Federal.

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Na nota que divulgou em outubro, Marcos Pereira disse que “não comentará nenhum informe advindo da colaboração processual em referência, nem muito menos fará comentários sobre pretensas gravações ilícitas”. “Os fatos que envolvem sua relação com Joesley Batista serão devidamente esclarecidos quando lhe for dada oportunidade de falar perante autoridade interessada na verdade, de maneira imparcial. Seus advogados já manifestaram ao STF sua intenção de aclarar os fatos e, portanto, aguarda momento formal para se defender e mostrar sua inocência”, conclui o texto do ministro.

*Com informações da Agência Brasil

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