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Ministro rebateu as críticas feitas as declarações de terça-feira (27), quando ele disse que esperava reciprocidade dos governos para aprovar mudanças

Ministro Carlos Marun reconheceu que liberação de verbas está condicionada a apoio à reforma da Previdência
Alan Santos/PR - 15.12.17
Ministro Carlos Marun reconheceu que liberação de verbas está condicionada a apoio à reforma da Previdência

O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, negou nesta quinta-feira (28) que tenha condicionado a liberação de recursos para os governadores ao comprometimento deles na busca de votos para aprovar a reforma da Previdência . Por meio de nota, Marun rebateu críticas às suas declarações de terça-feira (27), de que teria pedido aos governadores, que aguardam financiamentos de bancos públicos, reciprocidade sobre a reforma previdenciária.

O ministro afirmou que assistiu a entrevista e desafiou “qualquer um a destacar o trecho em que afirmo que financiamentos estão condicionados ao apoio à necessária reforma da Previdência”. “Afirmei, como reafirmo, que espero que todos os agentes públicos tenham a responsabilidade de contribuir neste momento histórico da vida da nação”, declarou Carlos Marun , em nota.

No entanto, o ministro afirmou ainda que vai dialogar de forma especial com aqueles que estão sendo beneficiados por ações do governo, "pleiteando o seu envolvimento no esforço que estamos fazendo para realizar as reformas que o Brasil necessita”.

Para Marun, a reação contrária ao seu posicionamento parte “daqueles que querem continuar omitindo a participação do governo federal nas ações resultantes de financiamentos obtidos junto aos bancos públicos” e que buscam resultados eleitorais.

Citando como exemplo a repactuação das dívidas, o parcelamento do débito da Previdência e o parcelamento da multa no processo de repatriação de divisas, o ministro ressaltou que o governo sempre prestigiou e apoiou os estados e municípios.

Carta de governadores contra Marun

Na quarta-feira (27), os governadores dos nove estados do Nordeste assinaram carta protestando contra as declarações do ministro-chefe da Secretaria . Ao fazer a declaração, Marun chamou de "ação de governo" a exigência de "reciprocidade" dos governantes beneficiados por financiamentos junto a bancos controlados pela União.

A afirmação causou incômodo e "profunda estranheza" nos chefes do poder executivo nos estados nordestinos, que classificaram a estratégia do Planalto como "ato arbitrário" e digno de "ditaduras cruéis".

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"Vivemos em uma Federação, cláusula pétrea da Constituição, não se admitindo atos arbitrários para extrair alinhamentos políticos, algo possível somente na vigência de ditaduras cruéis. Esperamos que o presidente Michel Temer reoriente os seus auxiliares, a fim de coibir práticas inconstitucionais e criminosas", afirmaram os governadores em carta aberta.

O grupo também ameaçou processar Carlos Marun caso se concretize a estratégia de barrar a liberação de verbas federais por conta da falta de apoio dos governantes. "Não hesitaremos em promover a responsabilidade política e jurídica dos agentes públicos envolvidos, caso a ameaça se confirme", diz o texto.

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